Fórum de Lisboa: Ministro brasileiro garante aposta em energia limpa para atrair investimentos globais em data centers

A nossa reportagem acompanhou o momento em que o ministro de Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, afirmou, durante o primeiro dia do Fórum Jurídico de Lisboa, em Portugal, que o Brasil reúne condições estratégicas para assumir um papel de destaque global na atração de investimentos em data centers, inteligência artificial e infraestrutura digital.

Ao participar no painel Desenvolvimento Tecnológico, Data Centers e Soberania Nacional, o governante sublinhou que o crescimento deste setor está diretamente associado à capacidade energética dos países. Segundo o ministro, o Brasil apresenta vantagens competitivas devido à sua matriz elétrica renovável, disponibilidade energética e capacidade de expansão do sistema elétrico nacional.

Durante a intervenção, Alexandre Silveira revelou que existem atualmente 38 gigawatts em pedidos de parecer de acesso ligados ao setor, sendo que 7,1 gigawatts já representam investimentos estimados em cerca de 159 mil milhões de reais para os próximos anos.

“Quando falamos em data centers não falamos apenas em tecnologia. Falamos principalmente de energia”, afirmou o ministro durante o debate.

Dados apresentados pelo Ministério de Minas e Energia indicam que os pedidos de conexão para novos projetos de data centers cresceram 330% entre 2024 e 2025. O Brasil conta atualmente com 205 data centers em operação e projetos em construção avaliados em mais de 114,5 mil milhões de reais.

O ministro brasileiro destacou ainda que grandes empresas internacionais têm procurado o Brasil como alternativa estratégica para expansão das suas operações, num contexto marcado pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente. Para Alexandre Silveira, o interesse internacional reflete a procura por mercados considerados mais estáveis do ponto de vista energético e regulatório.

Entre as medidas apontadas pelo Governo Federal para sustentar esta nova procura energética estão os leilões de geração e transmissão de energia, o Leilão de Reserva de Capacidade e a criação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST). A iniciativa foi criada para “modernizar o acesso à Rede Básica e organizar a entrada de grandes consumidores no Sistema Interligado Nacional”.

Alexandre Silveira defendeu também que a expansão da infraestrutura digital deve ser encarada como uma agenda de soberania nacional. O ministro sugere que a corrida global pela inteligência artificial e pelo processamento de dados “exige capacidade tecnológica, segurança energética e planeamento estratégico de longo prazo”.

No encerramento da participação no Fórum Jurídico de Lisboa, o ministro voltou a defender o avanço do Redata no Congresso Nacional brasileiro. O projeto pretende criar “um regime especial para atração de investimentos em data centers, prevendo incentivos fiscais associados a compromissos de sustentabilidade, inovação, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e utilização de energia limpa”.

A proposta integra a estratégia do Governo brasileiro para posicionar o país como um polo internacional de infraestrutura digital, aproveitando a capacidade de geração de energia renovável como diferencial competitivo na nova economia tecnológica.

Ígor Lopes

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