Lisboa: Autor brasileiro, Afonso Borges apresenta “Tardes Brancas” em abril

Afonso Borges, autor de “Tardes Brancas”. Foto: divulgação

O escritor brasileiro Afonso Borges vai apresentar, no próximo dia 16 de abril, às 18h30, na Casa dos Bicos (Fundação José Saramago), em Lisboa, o seu mais recente livro “Tardes Brancas”, numa sessão promovida pela Editora Nós que contará com a participação dos escritores Rafael Gallo e João Gabriel de Lima, que conduzirão a apresentação em formato de conversa.

O encontro integra-se na estratégia da Editora Nós de afirmar em Portugal autores relevantes da literatura contemporânea lusófona e de promover o diálogo entre diferentes espaços culturais da língua portuguesa.

Publicado originalmente em 2024, “Tardes Brancas” reúne 26 contos e cinco poemas, explorando “as tensões fraturantes do quotidiano: os amores que se constroem e desfazem, os desencontros que orientam destinos, a violência discreta que se entranha nos dias, a memória que insiste em regressar e o espanto perante o inesperado”.

A obra marca a afirmação de Borges enquanto ficcionista, depois de um percurso consolidado na promoção cultural no Brasil, onde se destacou pela criação de projetos como o Sempre um Papo e vários festivais literários. Nesta nova fase, o autor apresenta uma escrita que conjuga observação e contenção, oferecendo textos que “oscilam entre o reconhecimento e a estranheza”.

No prefácio da edição portuguesa, o escritor Valter Hugo Mãe sublinha a singularidade do estilo do autor: “Afonso Borges tem pressa em contar e nós agradecemos. A narrativa que diz só o essencial é delicada em relação ao leitor mortal; não fazer perder tempo – os vivos agradecem esta gentileza subtil, mas decidida que só a velocidade pode transportar.”

Também Gonçalo M. Tavares destaca a relação entre texto e leitor, afirmando que “nos duelos ou amores destes rápidos e fortes contos de Afonso Borges, o último a escolher as armas e o primeiro a escolher a quem oferecer o ombro é sempre o leitor”.

Segundo a editora, a edição portuguesa reflete um processo de reescrita minucioso, no qual cada texto foi “revisitado e reescrito, num gesto que sublinha que o ofício de escrever também se faz de lentidão, de retorno e de contínua afinação da linguagem”.

Ígor Lopes

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