Laudemir Müller (dir.), presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), durante evento em Lisboa. Foto: Agência Incomparáveis
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, frisou que o Brasil continua a registar um crescimento expressivo das exportações, apesar das dificuldades criadas pelo agravamento das barreiras comerciais em alguns mercados internacionais, defendendo que a aposta na diversificação de parceiros e no aprofundamento das relações com a Europa constitui uma das principais políticas do Governo brasileiro para reforçar a presença económica do país no exterior.
As declarações foram proferidas na passada quarta-feira, dia 15 de julho, durante a cerimónia de inauguração do primeiro escritório europeu da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instalada nas instalações da ApexBrasil, na capital portuguesa, iniciativa integrada na estratégia de internacionalização das instituições brasileiras e de reforço da cooperação entre Portugal e Brasil nas áreas da saúde, ciência, tecnologia e inovação.
Na sua intervenção, Laudemir Müller enquadrou a atual conjuntura internacional como um período de crescente instabilidade comercial, marcado pelo aumento unilateral de tarifas, pelo enfraquecimento de acordos internacionais e pelo surgimento de novos conflitos económicos. Ainda assim, este responsável sustentou que o Brasil tem seguido uma atuação distinta, baseada na negociação, na abertura dos mercados e na estabilidade das relações comerciais.
“O Brasil tem um caminho diferente. O Brasil tem um caminho do entendimento, um caminho da negociação, um caminho de abertura, um caminho de redução de tarifa e um caminho de estabilidade”, começou por realçar.
Como exemplo dessa estratégia, o presidente da ApexBrasil revelou que, entre janeiro e junho deste ano, o Brasil registou um aumento global de cerca de 20 mil milhões de dólares nas exportações, passando de 166 mil milhões para 185 mil milhões de dólares, apesar da redução das vendas para os Estados Unidos provocada pelo aumento das tarifas.
Segundo explicou, a quebra das exportações para aquele mercado, estimada em cerca de 2,6 mil milhões de dólares, foi compensada pelo crescimento das vendas para outras regiões do mundo.
“Tivemos um aumento de 3,1 mil milhões de dólares de exportação para a Europa, 2,5 mil milhões para a Índia e 10,5 mil milhões para a China. Embora tenha havido uma redução das exportações para os Estados Unidos, o Brasil exportou 20 mil milhões de dólares a mais entre janeiro e junho”, salientou.
Laudemir Müller atribuiu parte desse crescimento à entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, considerando que este movimento cria um enquadramento para o comércio bilateral e para o reforço do investimento entre os dois blocos.
“Esse alinhamento estratégico, essa forma de ver o mundo, de entender quem são os nossos parceiros e os valores que compartilhamos, mostra que este é um bom caminho”, defendeu.
No caso específico de Portugal, vincou que os laços históricos, culturais e institucionais entre os dois países tornam o mercado português particularmente relevante para a estratégia brasileira de internacionalização.
“O presidente Lula, em 2023, trabalhou a ideia de termos um espaço aqui em Portugal, aqui em Lisboa, que reunisse o Brasil, que reunisse as entidades, que desse fôlego e que acelerasse essa relação estratégica de amigos, de parceria, de cooperação e de comércio também”, recordou.
Foi nesse contexto que enquadrou a instalação da Fiocruz em Lisboa, considerando que a instituição desempenha um papel determinante na criação de oportunidades de cooperação tecnológica, científica e empresarial entre o Brasil, a Europa e os países africanos de língua portuguesa.
“Para a ApexBrasil, que é a agência que promove o Brasil no mundo, promove as empresas, o empreendedorismo brasileiro e atrai investimentos, é muito importante ter neste ambiente aqui em Portugal a Fiocruz, porque ela atrai, além das possibilidades de trabalharmos com o mercado europeu, principalmente parcerias de inovação, de tecnologia para desenvolver melhor os nossos sistemas de saúde e também cooperar com os sistemas de saúde de outros países, principalmente os países africanos, os países de língua portuguesa e conectar com todo o ambiente de inovação aqui na Europa”, argumentou.
O presidente da agência considerou ainda que o setor da saúde reúne atualmente condições para assumir um papel mais relevante na linha exportadora brasileira, defendendo que existe uma margem significativa para aumentar a presença da indústria nacional no mercado europeu.
“A Europa importa mais ou menos 20 mil milhões de dólares desta área de medicamentos e fármacos. O Brasil exporta 472 milhões. Então, de 20 mil milhões, a gente exporta meio milhar de milhões. Meio milhar de milhões é bastante coisa, mas olha o quanto que a gente tem para crescer”, observou.
Segundo explicou, a ApexBrasil apoia atualmente mais de uma centena de empresas do complexo económico-industrial da saúde, através de programas específicos de promoção internacional e de inovação, incluindo pequenas e médias empresas e startups incubadas em Portugal.
Para Laudemir Müller, a cooperação científica promovida pela Fiocruz e o fortalecimento das relações institucionais entre Portugal e Brasil deverão contribuir simultaneamente para o desenvolvimento tecnológico, para o aumento das exportações e para a criação de emprego qualificado.
“Estamos falando de saúde, estamos falando de cooperação, estamos falando de tecnologia, estamos falando de ciência, e estamos falando de emprego, exportação e desenvolvimento também. É disso que estamos falando, e isso a gente tem que fazer juntos, porque esse é um tema que não é nacional, é um tema cada vez mais global”, concluiu.
Ígor Lopes