Maria Amélia Amaral Palladino era presidente da Academia Luso-Brasileira de Letras. Foto: Agência Incomparáveis
A Academia Luso-Brasileira de Letras e a comunidade cultural do Rio de Janeiro despediram-se de Maria Amélia Amaral Palladino, falecida no passado dia 14 de julho, aos 86 anos, após uma prolongada luta contra um cancro. A sua morte representa uma perda significativa para a cultura carioca e para o universo da lusofonia, deixando um percurso amplamente reconhecido na promoção da língua portuguesa, da literatura e do intercâmbio cultural entre Portugal e o Brasil.
Enquanto presidente da Academia Luso-Brasileira de Letras, instituição que reúne escritores brasileiros e portugueses em torno da valorização da língua portuguesa e da cooperação cultural entre os dois países, desempenhou um papel ativo na dinamização de iniciativas literárias e na promoção do património cultural comum.
Paralelamente, integrou diversas academias e instituições culturais, entre as quais a Academia Carioca de Letras, distinguindo-se pelo envolvimento constante em projetos de promoção da literatura, da língua portuguesa e da produção intelectual brasileira.
Natural de São João del-Rei, no estado brasileiro de Minas Gerais, Maria Amélia Amaral Palladino viveu praticamente toda a vida no Rio de Janeiro, onde construiu um percurso de referência nas áreas da educação, da literatura e da atividade académica, além de ter ficado na história do ensino brasileiro ao tornar-se a primeira mulher a dirigir o histórico Colégio Pedro II, uma das mais prestigiadas instituições de ensino do país.
Licenciada em Letras Anglo-Germânicas e bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), publicou diversas obras ao longo da carreira e foi distinguida com várias condecorações e prémios nacionais e internacionais. Entre as principais distinções encontram-se o título de Bacharel Honoris Causa do Colégio Pedro II, o Prémio Carlos Drummond de Andrade, atribuído este ano em Itabira (Minas Gerais), e a Medalha de Mérito Militar da ABRAMMIL.
Apesar de ter desenvolvido grande parte da sua carreira no Rio de Janeiro, nunca perdeu a ligação às suas origens mineiras. Em 2014 regressou a São João del-Rei para apresentar o livro “… tudo isso é motivo de Poesia!”, numa sessão realizada no Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que incluiu um recital de poesia e simbolizou a relação que sempre manteve com a cidade onde nasceu.
O funeral realizou-se na semana passada no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, reunindo familiares, amigos, escritores, académicos e representantes da comunidade cultural, que prestaram a última homenagem à antiga presidente da Academia Luso-Brasileira de Letras.
Maria Amélia Amaral Palladino deixa filhos, netos e um legado profundamente ligado à defesa da cultura lusófona, sendo recordada pelo contributo para o fortalecimento das relações literárias entre Portugal e o Brasil e pelo papel pioneiro que desempenhou tanto no sistema educativo brasileiro como nas instituições académicas dedicadas à língua portuguesa.
Ígor Lopes