A Polícia Civil do Rio de Janeiro, Brasil, investiga a morte de quatro pessoas na sequência dos episódios de violência registados entre a noite de sábado, 29 de agosto, e a madrugada de domingo, 30, na região de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste da cidade. Uma das vítimas foi identificada como Josiane Dias de Assunção Maia. Até esta segunda-feira, 31 de agosto, os outros três mortos, todos homens, permaneciam sem identificação confirmada.
As investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que realiza diligências para identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias das mortes. As autoridades procuram ainda estabelecer a dinâmica dos homicídios e determinar se todos os casos estão relacionados com os confrontos registados na região.
Segundo a Polícia Militar, criminosos armados envolveram-se num confronto na comunidade da Muzema durante a noite de sábado. Um homem foi atingido na perna e transportado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Durante os episódios de violência, veículos foram interceptados e objetos incendiados para impedir a circulação em diferentes vias.
A violência teve impacto direto nos transportes públicos. De acordo com o “Rio Ônibus”, 14 autocarros foram utilizados como barricadas em áreas da Muzema, Gardênia Azul, Curicica e Taquara, afetando a circulação de linhas em Jacarepaguá. Entre os veículos envolvidos estavam autocarros que fazem ligações entre Rio das Pedras, Barra da Tijuca, Copacabana, Recreio, Candelária, Vargem Grande, Del Castilho, Tanque, Gávea e Jardim Oceânico. A operação dos transportes foi normalizada no domingo.
Polícias do 31.º Batalhão da Polícia Militar foram mobilizados para a região e, segundo a corporação, conseguiram estabilizar a área e restabelecer a circulação de veículos. O policiamento foi reforçado nos pontos considerados mais sensíveis, com apoio de equipas do 1.º Comando de Policiamento de Área.
Até esta segunda-feira, não tinham sido divulgadas conclusões sobre a autoria ou a motivação das quatro mortes. A Delegacia de Homicídios da Capital mantém as diligências para esclarecer os crimes e apurar a eventual relação entre os homicídios e os confrontos registados na região.
Noutro caso relacionado com a segurança pública no Rio de Janeiro, mas sem ligação conhecida com os episódios da Muzema, a Polícia Civil prendeu, no domingo, mais um suspeito de participação no ataque que matou o policial civil Carlos Alberto Freire Neto, em 8 de julho, no Complexo do Muquiço, na Zona Norte. O homem foi localizado num dos acessos à comunidade de Acari, onde os agentes apreenderam um revólver e drogas.
Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Capital e pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, o detido integra o Terceiro Comando Puro (TCP), e é apontado como condutor de uma das motocicletas utilizadas no ataque contra os agentes. Foi detido em flagrante por tráfico de droga e porte ilegal de arma de fogo.
Com esta operação, sobe para nove o número de suspeitos ligados à facção presos durante as diligências relacionadas com a morte de Carlos Alberto Freire Neto. Um adolescente também foi apreendido. A Polícia Civil mantém as investigações para identificar e localizar outros envolvidos no homicídio.
Ígor Lopes