A Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP) realçou a importância do trabalho dos investigadores e dos funcionários do Instituto Butantan no desenvolvimento de uma vacina brasileira de dose única contra a dengue, que acaba de ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Trata-se de um avanço que contribuirá para atenuar de modo significativo o número de casos e, em médio prazo, eliminar o caráter epidémico da doença”, salientou Artur Marques, presidente da AFPESP.
Com alta eficácia e potencial para reduzir drasticamente os casos e as hospitalizações, o imunizante, nomeado como Butantan-DV, é considerado um marco no combate à doença e o avanço reforça a importância dos servidores públicos brasileiros na ciência e na saúde.
Para o dirigente, “essa conquista expressiva da ciência brasileira, que tem a marca dos investigadores e funcionários do Butantan, evidencia a relevância dos servidores públicos, que prestam inestimáveis serviços à sociedade em áreas fundamentais, como a saúde e educação”, acrescentando que a nova vacina “é um divisor de águas no combate a uma das doenças mais persistentes do país”.
Segundo os resultados do extenso estudo de fase 3, conduzido entre 2016 e 2024 com mais de 16 mil voluntários em 14 estados, o imunizante atingiu 74,7% de eficácia geral; para as formas graves da doença e aquelas com sinais de alarme, a proteção foi de 91,6%; e no caso de hospitalizações pela dengue, o índice alcançou 100% de sucesso.
Reiterando a importância do trabalho do Butantan e dos seus investigadores, Artur Marques lembra que, até meados de novembro deste ano, já haviam sido notificados 1,6 milhão de casos, sendo que o instituto já possui cerca de um milhão de doses prontas e, até meados de 2026, já serão 30 milhões de doses com grande impacto na imunização dos brasileiros.
O presidente da AFPESP complementou sublinhando que, no ano passado, o Brasil registou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, mais de quatro vezes do que em 2023.
Este avanço científico brasileiro é relevante também para Portugal, onde em 2025 foi identificada a presença do mosquito Aedes albopictus – vetor potencial da dengue – em vários municípios do interior português, incluindo Condeixa-a-Nova (distrito de Coimbra) e Covilhã (distrito de Castelo Branco).
Apesar da deteção do mosquito, até ao momento não foram registados surtos nem casos confirmados de dengue no território português, o que significa que, mesmo com a presença do mosquito, o risco imediato de transmissão continua baixo.
Ainda assim, as autoridades portuguesas têm alertado os portugueses para adotar medidas de prevenção e de vigilância: eliminar água parada, vedar recipientes que acumulem água, manter piscinas e depósitos limpos e aplicar repelentes.
Ígor Lopes