Cabo Verde reforçou a sua posição como destino atrativo e seguro para o investimento estrangeiro, ao aprofundar parcerias com Portugal e a União Europeia no âmbito da quarta edição do Cabo Verde Investment Forum, realizado de 18 a 20 de junho, na ilha do Sal.
O evento, que reuniu representantes de alto nível dos setores público e privado, foi marcado por compromissos concretos, desafios estratégicos e pela reafirmação da confiança no potencial económico do arquipélago.
O encontro teve como ponto alto a visita de uma delegação empresarial portuguesa, liderada pelo Presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, e pelo Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado. Recebidos pelos ministros cabo-verdianos José Luís Sá Nogueira (Turismo e Transportes) e Eurico Monteiro (Promoção de Investimentos e Fomento Empresarial), os representantes portugueses destacaram o compromisso mútuo com o desenvolvimento económico sustentável e com o fortalecimento de laços históricos entre os dois países.
Durante a reunião, o Ministro Sá Nogueira sublinhou a importância do investimento português em áreas-chave como o turismo, a restauração, as atividades náuticas e os serviços. Reiterou o convite a novos investidores e apelou à expansão de projetos de turismo complementar em Cabo Verde, apontando a construção de marinas, particularmente na ilha de São Vicente, como estratégia para impulsionar o turismo náutico e diversificar a oferta turística nacional.
Já o Ministro Eurico Monteiro reforçou a aposta do Governo cabo-verdiano na atração de investimento privado através de políticas públicas estáveis, eficientes e digitais. Enfatizou a transformação da administração pública como eixo prioritário para a melhoria do ambiente de negócios. “Estamos a implementar uma abordagem que valoriza a agilidade, o profissionalismo e a proximidade com o investidor. Cabo Verde precisa do vosso investimento para crescer e gerar mais rendimento para a sua população”, afirmou.
Os empresários portugueses presentes elogiaram o clima de segurança, estabilidade institucional e mão de obra qualificada, mas apelaram a melhorias nas infraestruturas básicas como forma de reduzir os custos operacionais e reforçar a competitividade. A AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) reafirmou a sua disponibilidade para apoiar a execução de novos projetos em Cabo Verde, destacando a posição de Portugal como principal investidor no país.
No encerramento do fórum, o Ministro Eurico Monteiro agradeceu a todos os participantes, organizadores, parceiros institucionais e empreendedores que contribuíram para o sucesso da iniciativa. Destacou o espírito de cooperação e o elevado nível de partilha de ideias, soluções e propostas durante os três dias de evento. “Este fórum mostrou que há vontade, confiança e capacidade para transformar ideias em ações. Dissemos e voltamos a dizer: esta é uma parceria para o desenvolvimento. Ganham os empresários, ganham os trabalhadores, ganha Cabo Verde”, sublinhou Monteiro, reiterando o compromisso com políticas que promovam emprego com remuneração justa e dignidade para os trabalhadores. O governante elogiou ainda o papel da Cabo Verde Trade Invest e dos parceiros logísticos, como o Hotel Hilton, pela organização exemplar do evento.
A União Europeia teve um papel central nesta edição do Fórum, através da iniciativa Global Gateway, apresentada numa sessão especial. Eurico Monteiro deixou uma mensagem de reconhecimento e gratidão à UE e, em particular, à Embaixadora Carla Grijó, pela dedicação ao país. Segundo o Ministro, a Global Gateway representa um alinhamento estratégico com os objetivos de desenvolvimento de Cabo Verde, oferecendo investimentos superiores a 300 milhões de euros em áreas estruturantes como energias renováveis, transportes sustentáveis, educação, saúde, conectividade digital e infraestruturas portuárias. “É exatamente este tipo de parceria que queremos para garantir a resiliência económica e social do país”, declarou. O programa europeu foi destacado como uma resposta direta aos desafios enfrentados por Cabo Verde, sendo considerado fundamental para acelerar a transição energética, promover a economia digital e modernizar os serviços públicos.
Na cerimónia de abertura, o Primeiro-Ministro Ulisses Correia e Silva destacou o simbolismo do evento, realizado a poucas semanas das celebrações dos 50 anos da independência nacional, a 5 de julho de 2025. “Devemos celebrar o percurso desta Nação resiliente e projetar juntos um futuro de prosperidade partilhada entre cabo-verdianos no país e na diáspora”, afirmou. O Chefe do Governo destacou ainda a importância das parcerias bilaterais e multilaterais, incluindo o papel determinante da União Europeia, do Reino Unido e da diáspora, para consolidar os alicerces do desenvolvimento sustentável. “A economia continuará a crescer em ambiente de estabilidade macroeconómica. O Banco Mundial prevê um crescimento de 6% para 2025”, garantiu.
Ulisses Correia e Silva sublinhou que o país está comprometido com a diversificação económica, apostando num turismo mais inclusivo, sustentável e ligado à produção local, bem como no desenvolvimento da economia azul e da economia digital. “Cada ilha deve ser um destino turístico diferenciado, com capacidade de criar mercado para produtos agroalimentares, da pesca e da indústria criativa”, explicou.
O Governo cabo-verdiano reafirmou a ambição de transformar o país num hub digital da África Ocidental, investindo em tecnologia, qualificação profissional e modernização institucional. A juventude cabo-verdiana foi destacada como um dos maiores ativos nacionais, especialmente pelo talento demonstrado no setor digital. “Queremos um país mais conectado, inovador e justo. Um país com oportunidades reais para os jovens, com justiça independente e um sistema fiscal competitivo”, declarou Monteiro.
O Fórum deixou, assim, um rasto de otimismo, propostas concretas e parcerias reforçadas. Cabo Verde posiciona-se cada vez mais como uma plataforma estável, moderna e colaborativa para investimentos de impacto, com os olhos postos num futuro sustentável e inclusivo.
Anícia Cabral – Correspondente