O Governo de Cabo Verde e a concessionária aeroportuária Cabo Verde Airports, integrada no grupo VINCI Concessions, assinaram, esta segunda-feira, no Palácio do Governo, um memorando de entendimento para a criação de um aeroporto internacional na ilha de Santo Antão. O ato contou com a presença do Primeiro-Ministro, José Ulisses Correia e Silva, do Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Olavo Correia, e do presidente da VINCI Concessions, Nicolas Notebaert.
Durante a cerimónia, o chefe do Governo afirmou, que “estamos a cumprir um compromisso com Santo Antão e com Cabo Verde”, sublinhando que a decisão resulta de “muita reflexão, estudos técnicos e análises de viabilidade”.
José Ulisses Correia e Silva reforçou que a construção do aeroporto é uma “opção estratégica de ligar Santo Antão ao mundo diretamente através do transporte aéreo”, defendendo que a conectividade é prioridade para um país arquipelágico. “Se os aeroportos se comprassem nos supermercados, seria fácil construir um aeroporto”, afirmou, destacando a complexidade técnica e financeira do processo.
O Primeiro-Ministro explicou que a ilha reúne condições únicas para o desenvolvimento de um turismo de natureza, cultura e ecoturismo, complementando a oferta das ilhas do Sal e da Boa Vista. Acrescentou que a infraestrutura permitirá criar escala económica suficiente para dinamizar o setor turístico sem descaracterizar a identidade da ilha.

Por sua vez, Nicolas Notebaert destacou que o grupo está comprometido com um investimento estruturante e sustentável em Cabo Verde. No seu discurso, afirmou tratar-se de “um grande prazer estar em Cabo Verde” e considerou que os aeroportos representam “a primeira e a última imagem que os visitantes têm do país”.
O responsável salientou que já foram investidos milhões de euros na modernização dos aeroportos da Praia, Sal, Boa Vista e Fogo, com melhorias ao nível da segurança, conforto, desempenho ambiental e instalação de centrais fotovoltaicas, reforçando a ambição de posicionar Cabo Verde no mapa dos aeroportos de classe mundial.
O Vice-Primeiro-Ministro, Olavo Correia, participou no ato formal de assinatura, considerado pelo Governo como mais um passo estratégico no reforço da coesão territorial e da conectividade aérea.
Segundo o Primeiro-Ministro, a parceria público-privada no setor aeroportuário tem demonstrado resultados positivos, permitindo investimentos significativos que, segundo disse, “só o Estado não conseguiria fazer sozinho”. Defendeu ainda que a abertura ao investimento estrangeiro é fundamental para o crescimento sustentável do país.
O memorando hoje assinado abre caminho para os estudos finais de viabilidade, modelo de financiamento e definição do plano diretor do futuro aeroporto internacional de Santo Antão, projeto que o Governo considera estruturante para o desenvolvimento económico, turístico e social da ilha e de Cabo Verde.