Cabo Verde: Gabinete de Crise garante início do realojamento de famílias em São Vicente

Em conferência de imprensa, a porta-voz Vitória Veríssimo confirmou a retirada urgente de uma viatura na baía de manobra do cais de cabotagem e revelou que as primeiras 36 famílias afetadas serão instaladas em novas casas já a 2 de setembro.

O Gabinete de Crise em São Vicente atualizou esta manhã, 28 de agosto, o ponto de situação das operações em curso após as inundações que devastaram a ilha.

Segundo a porta-voz, Vitória Veríssimo, as buscas por mar e por terra prosseguem, com especial enfoque nas duas pessoas que ainda permanecem desaparecidas.
“Estamos a trabalhar com máxima urgência, tanto com as nossas equipas da Guarda Costeira como com a equipa norte-americana de apoio hidrográfico, para localizar tudo o que permanece submerso”, afirmou.

Durante as operações, foi localizada uma viatura na baía de manobra do cais de cabotagem do Mindelo, que está a ser retirada nesta manhã. A operação é considerada prioritária, por se tratar de uma zona de atracação de navios de passageiros interilhas.

Para além da viatura, já foram assinalados outros objetos no fundo da baía, incluindo uma rulote, um contentor de lixo e uma grade com garrafas de gás.

“Há todo um trabalho de equipas conjuntas para garantir a retirada gradual, porque muitos objetos estão presos ao leito marinho. Só depois poderemos avançar para uma remoção completa”, explicou Vitória.

Até agora, 51 viaturas danificadas já foram contabilizadas e retiradas do mar, mas a porta-voz admite que o número pode aumentar à medida que novas descobertas vão sendo feitas.

Famílias começam a ser realojadas

No plano social, o processo de realojamento das famílias afetadas terá início já no próximo dia 2 de setembro, com a entrega de habitações a 36 famílias.

O calendário definido pelo Gabinete de Crise prevê ainda que 14 famílias sejam instaladas a 15 de setembro e mais 16 até ao final de novembro, totalizando 66 famílias num primeiro momento.

“O realojamento está a ser feito de forma gradual porque muitas casas ainda estão em fase final de construção. Faltam concluir as ligações de eletricidade, água e esgotos. Além disso, cada habitação será entregue mobilada, com utensílios básicos, para que as famílias possam iniciar uma vida digna”, garantiu Veríssimo.

A porta-voz acrescentou que algumas casas destruídas “não oferecem qualquer segurança” e defendeu a sua demolição. “Há habitações em encostas instáveis e em leitos de ribeiras. A nossa recomendação é que essas casas sejam demolidas e que não se volte a construir em locais de risco. Mas a decisão final cabe à Câmara Municipal e às entidades competentes.”

Outro ponto crítico refere-se à avaliação de riscos habitacionais, concluída esta semana. Técnicos visitaram todas as localidades da ilha de São Vicente, tendo identificado diversas habitações em situação de perigo.

Segundo Veríssimo, “existem casas que já não existem, restando apenas escombros. Outras encontram-se em encostas instáveis ou em zonas sujeitas a enxurradas de pedras. Nessas circunstâncias, o risco para a vida humana é real.”

Enquanto decorre o processo de reconstrução e realojamento, os centros de acolhimento permanecem abertos, acolhendo famílias que perderam as suas casas ou que ainda aguardam transferência para habitações definitivas.

Veríssimo reforçou que todos os esforços estão a ser feitos em coordenação com a Câmara Municipal e o Ministério da Família e Solidariedade, sublinhando que “o objetivo é garantir segurança e dignidade às populações afetadas”.

Anícia Cabral – Correspondente

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