O Governo traçou como meta estratégica elevar Cabo Verde ao estatuto de país de rendimento alto no horizonte de uma década, o que implica triplicar o PIB per capita atual, passando de cerca de 5.400 dólares norte-americanos para 15 mil dólares. O objetivo foi reafirmado pelo Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Olavo Correia, no âmbito da apresentação das perspetivas macroeconómicas associadas ao Orçamento do Estado para 2026.
Segundo o governante, para alcançar esse patamar será necessário um crescimento económico muito acima do atual. Embora o país tenha registado taxas entre 6% e 7% nos últimos anos, e tenha como referência para 2026 um crescimento mínimo de 6%, o desafio passa por duplicar o potencial de crescimento e atingir taxas anuais de dois dígitos, em torno dos 10%.
O Orçamento do Estado para 2026, sublinhou Olavo Correia, marca o início da concretização dessa ambição, criando as bases para uma economia mais dinâmica, capaz de sustentar um crescimento extraordinário do Produto Interno Bruto, hoje situado entre 280 e 300 mil milhões de escudos.
No plano social, o Executivo prevê para 2026 uma taxa de desemprego inferior a 8%, estimada entre 7% e 7,3%, dando continuidade à trajetória descendente já observada, com os dados mais recentes a apontarem para cerca de 7,5%.
A estabilidade macroeconómica continua a ser um pilar central da estratégia governamental. A inflação deverá manter-se abaixo dos 2%, situando-se em torno de 1,6%, o que, segundo o ministro, confirma Cabo Verde como um país de estabilidade de preços e monetária, alinhado com os padrões internacionais.
Em termos orçamentais, o Governo projeta um défice público inferior a 1% do PIB, concretamente 0,9% em 2026, sustentado por políticas públicas que garantem um saldo primário positivo e maior disciplina fiscal.
Outro indicador destacado foi a dívida pública, que deverá cair para níveis inferiores a 100% do PIB em 2026, depois de ter atingido cerca de 145% no período pós-pandemia. Olavo Correia afirmou que Cabo Verde está entre os países com melhor desempenho recente na redução do rácio da dívida.
O reforço das reservas internacionais, que ultrapassaram pela primeira vez um milhar de milhão de euros, foi igualmente apontado como fator de confiança, permitindo assegurar a paridade fixa do escudo cabo-verdiano face ao euro, a livre circulação de capitais e a normalidade das transações externas.
Para o Vice-Primeiro-Ministro, estes indicadores demonstram que o país reúne condições de estabilidade e credibilidade para perseguir um novo ciclo de crescimento acelerado, essencial para transformar Cabo Verde numa economia de rendimento alto.