Cabo Verde: Joana Rosa apresenta candidatura à Presidência da República e promete uma magistratura próxima dos cidadãos

A candidata à Presidência da República de Cabo Verde, Joana Gomes Rosa Amado, apresentou oficialmente a sua candidatura, defendendo uma Presidência assente na proximidade com os cidadãos, na independência institucional e na defesa da Constituição. A juventude, a coesão entre as ilhas, a valorização da diáspora e o reforço da confiança nas instituições figuram entre as principais prioridades que pretende acompanhar caso seja eleita a 15 de novembro.

Durante a apresentação oficial da sua candidatura, Joana Rosa afirmou que pretende exercer uma Presidência próxima dos cabo-verdianos, capaz de ouvir as preocupações da população e de lhes dar seguimento através dos instrumentos constitucionais. Perante dirigentes políticos, militantes, simpatizantes e convidados, a candidata sublinhou que a sua proposta resulta de uma reflexão sobre o país e sobre as responsabilidades da mais alta magistratura da Nação.

“Acredito numa presidente próxima das pessoas, capaz de ouvir e de dar consequência ao que ouve”, declarou, defendendo uma atuação pautada pela independência, pelo diálogo e pelo respeito pelas competências dos diferentes órgãos de soberania.

A candidata identificou o desemprego jovem, as dificuldades de acesso à habitação, o aumento do custo de vida e as desigualdades entre as ilhas como algumas das preocupações que exigem maior atenção. Nesse sentido, considerou que o Presidente da República deve assumir um papel ativo na defesa dos direitos dos cidadãos, sem interferir nas competências do Governo.

“O Presidente da República não governa, mas não pode ser indiferente à forma como a Constituição se cumpre na vida das pessoas”, afirmou, acrescentando que a função presidencial deve contribuir para aproximar os cidadãos das instituições e promover o diálogo em torno dos principais desafios nacionais.

Entre as prioridades apresentadas, a juventude ocupa um lugar central. Joana Rosa pretende garantir a presença de jovens no Conselho da República e criar um fórum de debate dedicado às questões que afetam esta camada da população, nomeadamente a educação, o emprego, a habitação e a participação cívica.

A candidata defendeu que os jovens devem ter condições para construir o seu futuro no país, sem que a emigração seja a única alternativa. «Emigrar deve ser uma escolha, uma liberdade como consagramos na nossa Constituição democrática, e não a única perspetiva de futuro», afirmou, sublinhando a importância de criar oportunidades que permitam aos jovens concretizar os seus projetos de vida em Cabo Verde.

A coesão territorial constitui outra das causas que pretende acompanhar durante um eventual mandato. Para Joana Rosa, as diferenças no acesso aos transportes, aos serviços públicos e às oportunidades de emprego entre as ilhas e os municípios exigem uma atenção permanente, de modo a garantir que nenhuma comunidade fique à margem do desenvolvimento nacional.

“A unidade nacional só se constrói garantindo que todas as ilhas contem”, declarou, defendendo que a Presidência deve acompanhar as diferentes realidades do arquipélago e dar visibilidade às dificuldades das comunidades mais afastadas dos centros de decisão.

A diáspora cabo-verdiana também integra as prioridades da candidatura. Joana Rosa considera que as comunidades emigradas devem ter uma participação mais efetiva no desenvolvimento do país e anunciou a intenção de criar um fórum de concertação para reforçar o diálogo com os cabo-verdianos no exterior.

“A diáspora não pode ser lembrada apenas quando há eleições ou quando se fala de remessas. Faz parte da Nação”, afirmou. A candidata defendeu igualmente a valorização dos quadros cabo-verdianos no estrangeiro e a promoção da sua integração nas sociedades de acolhimento, bem como a criação de condições que incentivem o seu contributo para Cabo Verde.

No domínio institucional, Joana Rosa defendeu uma Presidência independente, mas aberta à cooperação com os restantes órgãos de soberania. Na sua perspetiva, o equilíbrio institucional não deve ser confundido com passividade, nem a independência com o confronto político.

“Equilíbrio não é silêncio, serenidade não é passividade, independência não é‘, afirmou, sustentando que o Presidente da República deve saber intervir quando as circunstâncias o exigem, respeitando sempre os limites e as responsabilidades estabelecidos pela Constituição.

A confiança nas instituições públicas foi igualmente destacada no discurso. A candidata defendeu uma Administração Pública profissional e imparcial, na qual o acesso aos serviços, às oportunidades e às responsabilidades do Estado seja determinado pelo mérito e pela competência, e não pela proximidade partidária.

“A Administração Pública deve servir o cidadão e o interesse público e não interesses partidários”, declarou, acrescentando que o Estado deve garantir igualdade de tratamento a todos os cabo-verdianos, independentemente das suas convicções políticas ou condições socioeconómicas.

Joana Rosa apontou ainda a necessidade de transformar o crescimento económico em desenvolvimento humano, defendendo que os resultados económicos devem traduzir-se em melhores condições de vida, redução das desigualdades e mais oportunidades para as diferentes gerações. Na sua perspetiva, esta é uma questão que deve permanecer no debate nacional para além dos ciclos governativos.

A dimensão internacional também esteve presente na sua intervenção. A candidata defendeu que Cabo Verde deve preservar a sua credibilidade externa, respeitar o direito internacional e continuar a afirmar-se como um país comprometido com a democracia, os direitos humanos e a resolução pacífica dos conflitos.

A apresentação da candidatura contou com a intervenção da mandatária-geral, Lígia Fonseca, que centrou o seu discurso na participação das mulheres na vida pública e na importância da democracia pluralista. Ao defender a candidatura de Joana Rosa, destacou a necessidade de uma mulher assumir a Presidência da República e de reforçar o respeito pelas instituições e pela diversidade de opiniões.

“Durante demasiado tempo, dissemos que as mulheres são capazes. Durante demasiado tempo, proclamámos que as mulheres devem estar em todos os lugares. Pois então, meus amigos, chegou o momento de acreditarmos verdadeiramente naquilo que dizemos”, afirmou Lígia Fonseca, apelando ao reconhecimento do papel das mulheres na construção de Cabo Verde.

A mandatária-geral defendeu igualmente uma Presidência que represente todos os cidadãos, independentemente da sua orientação política, e que contribua para preservar a democracia e o equilíbrio entre os poderes. Na sua intervenção, salientou que a unidade nacional exige o respeito pelas diferenças e a rejeição de discursos de divisão.

Os mandatários nacionais da juventude, Daniel Monteiro e Ludmila Varela, também destacaram a importância da participação dos jovens na vida política, defendendo mais oportunidades de formação, emprego e empreendedorismo. Nas suas intervenções, apelaram a um maior envolvimento da juventude nas decisões que condicionam o futuro do país.

A cerimónia ficou ainda marcada por momentos culturais, com atuações de artistas cabo-verdianos, entre os quais a cantora Mindela, que apresentou uma coladeira inédita do seu primeiro álbum, dedicada à candidata.

No encerramento da sua intervenção, Joana Rosa reafirmou o compromisso de exercer uma Presidência orientada pelo lema “Sentir, Servir e Proteger”, sublinhando que o cargo deve estar ao serviço dos cidadãos, da Constituição e da unidade nacional.

“O cargo de Presidente da República não pertence a quem o ocupa. Pertence aos cabo-verdianos», declarou, antes de concluir com uma mensagem de compromisso: «Cabo Verde pode contar comigo enquanto Presidente da República.”

Natural da freguesia de Nossa Senhora da Luz, na ilha do Maio, Joana Gomes Rosa Amado nasceu a 8 de maio de 1965, é casada e reside em Cidadela, na Praia. A sua candidatura insere-se no processo eleitoral para as eleições presidenciais de 15 de novembro de 2026.

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