Jovens eleitos no âmbito do projeto Autarcas do Futuro tomaram posse esta semana, na cidade da Praia, numa cerimónia solene promovida pela Comissão Nacional de Eleições, CNE, em parceria com o Ministério da Educação e a Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde, ANMCV, marcando o início oficial do exercício simbólico de funções nos órgãos autárquicos juvenis.
O ato reuniu representantes do Estado, dirigentes autárquicos, responsáveis do setor da educação, parceiros institucionais, professores, jornalistas e jovens provenientes de 19 dos 22 concelhos do país. Ao todo, foram empossados 31 presidentes juvenis, entre Câmaras Municipais Juvenis e Assembleias Municipais Juvenis, eleitos após um processo que simulou todas as etapas de um escrutínio democrático.
Na ocasião, a organização sublinhou, que o projeto visa estimular a participação cívica e eleitoral da juventude, promovendo valores como responsabilidade, liderança, pensamento crítico e disciplina, ao mesmo tempo que prepara futuros eleitores para decisões conscientes e informadas. Foi ainda destacado que a tomada de posse simboliza a transição do processo eleitoral para o exercício efetivo das funções, ainda que num mandato de natureza pedagógica e com a duração de um ano.
Um dos momentos mais marcantes da cerimónia foi o juramento solene dos jovens eleitos. De forma coletiva, comprometeram-se a respeitar os princípios da democracia, do diálogo e da diversidade, bem como a colaborar com o poder local em prol do bem comum. “Assumimos este compromisso com responsabilidade, respeito e cidadania”, declararam, antes da assinatura dos termos de posse e da entrega dos certificados.
Na sua intervenção, a representante da Direção Nacional da Educação, Ângela Varela, considerou que a iniciativa representa “um marco de cidadania e de esperança”, defendendo que a escola desempenha um papel central na formação de jovens conscientes e participativos. Afirmou ainda que o Ministério da Educação se sente orgulhoso por ver estudantes envolvidos num exercício prático de cidadania e incentivou-os a encararem a experiência como o início de uma jornada de liderança ao serviço das comunidades.
Também o presidente da ANMCV, Fábio Vieira, destacou a dimensão estratégica do projeto, afirmando que este constitui “um investimento na sustentabilidade da democracia cabo-verdiana”. Segundo disse, o poder local é a expressão mais próxima da democracia e a juventude, com a sua visão e energia, representa um complemento essencial à experiência dos atuais autarcas. Acrescentou, ainda, que a associação continuará disponível para apoiar iniciativas que promovam a participação juvenil.
A voz dos próprios jovens eleitos fez-se ouvir durante a cerimónia. Em representação da Assembleia Municipal Juvenil, Elaine Graça, do município de Porto Novo, afirmou que o projeto permitiu passar da teoria à prática da cidadania, alertando para os riscos da abstenção. “A democracia é frágil se não for exercitada. Quando um jovem não vota, entrega o seu futuro a outros”, afirmou, defendendo uma juventude mais participativa e sem receio da política.

Já Marlina Resende, representante da Câmara Municipal Juvenil da Praia, sublinhou que os jovens não são apenas o futuro, mas também o presente do país. Declarou que os eleitos pretendem ser uma ponte entre as escolas, os bairros e o poder local, trazendo novas perspetivas para problemas como saúde mental nas escolas, abandono escolar, ambiente, saneamento e apoio a alunos em situação de vulnerabilidade.
No encerramento, a vice-presidente da CNE fez um balanço positivo do projeto, considerando que a iniciativa “valeu a pena” e destacando o envolvimento dos parceiros. De acordo com os dados apresentados, o processo contou com 27.979 estudantes inscritos, distribuídos por 41 escolas secundárias de 19 concelhos, com a apresentação de 47 candidaturas, refletindo diversidade e paridade de género. Para a responsável, a democracia não se resume ao ato de votar, sendo essencial investir na educação cívica desde cedo.
A cerimónia terminou com a declaração oficial da posse dos jovens eleitos e com votos de sucesso no exercício do mandato, reforçando a convicção de que a juventude cabo-verdiana tem um papel central na consolidação da democracia e no futuro do país.