José Filomeno de Carvalho Dias Monteiro, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros e um dos mais destacados diplomatas cabo-verdianos, faleceu na cidade da Praia aos 70 anos. A informação foi confirmada pelo Movimento para a Democracia, MpD, e pelo Governo de Cabo Verde, que lamentaram profundamente a morte de uma personalidade considerada essencial para a construção da democracia e para a afirmação externa do país.
O MpD descreveu José Filomeno como “uma personalidade ímpar da vida política, diplomática e cultural cabo-verdiana”, destacando a sua trajetória como combatente pela independência e pela liberdade. Para o partido, tratava-se de um “intelectual de mérito e político de elevada visão”, cuja ação foi determinante no reforço ideológico da organização e na consolidação do sistema democrático. O partido sublinhou ainda o seu contributo enquanto dirigente, lembrando que foi Vice-Presidente do MpD entre 2001 e 2004 e um dos seus parlamentares mais influentes entre 2001 e 2016.
O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, também lamentou o desaparecimento do diplomata, afirmando que Cabo Verde perdeu “um homem de Estado, presente e ativo em todas as fases marcantes da vida nacional”. Em mensagem pública, declarou: “Deus deu-nos o privilégio de ter José Filomeno entre nós. Que descanse em paz.”
O Governo, por sua vez, recordou a “dedicação ao serviço público” e o “relevante contributo deixado ao país”, apresentando condolências à família e amigos. Na sua nota oficial, destacou o trabalho de José Filomeno Monteiro enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional e Ministro das Comunidades, funções exercidas entre outubro de 2024 e outubro de 2025.
Com uma carreira diplomática vasta, José Filomeno Monteiro representou Cabo Verde em vários pontos estratégicos do mundo. Foi Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário na Bélgica, Países Baixos e Hungria, além de Representante Permanente junto à União Europeia entre 2016 e 2024. Antes disso, exerceu o cargo de Cônsul-Geral em Hong Kong entre 1993 e 2000 e desempenhou funções diplomáticas em Nova Iorque e Bruxelas.
No Parlamento, onde exerceu mandatos entre 2001 e 2006 e depois entre 2011 e 2016, presidiu à Comissão de Relações Externas, Cooperação e Comunidades, confirmando a sua reputação de político rigoroso, competente e comprometido com o interesse nacional.
Para o MpD, nesta “hora de dor”, Cabo Verde perde um “cidadão exemplar, diplomata de excelência e dirigente de convicções firmes”. O partido expressou “as mais sentidas condolências” à família, sublinhando o legado singular deixado por José Filomeno Monteiro.