O Movimento para a Democracia, MpD, apresentou, em conferência de imprensa, as listas de candidatos a deputados para as eleições legislativas de 17 de maio de 2026, destacando uma renovação superior a 60%, maior inclusão de jovens e abertura à sociedade civil, ao mesmo tempo que reafirma a ambição de conquistar a maioria absoluta no Parlamento.
Na ocasião, o secretário-geral do partido, Agostinho Lopes, começou por sublinhar o processo de elaboração das listas, afirmando que estas foram “aprovadas pelos órgãos competentes do partido” e resultam de “um alto nível de participação”. Acrescentou ainda que os critérios adotados assentaram no rigor, na representatividade e na necessidade de responder às expectativas da sociedade cabo-verdiana.
Segundo o dirigente, o MpD conseguiu atingir “uma renovação aceitável, superior a 60%”, o que, conforme explicou, deverá traduzir-se num grupo parlamentar “bastante renovado, num índice próximo de 50%”. Além disso, destacou que cerca de 25% dos candidatos têm menos de 35 anos, evidenciando uma aposta clara na juventude. Neste sentido, referiu que o partido pretende reforçar a presença de novas gerações na política ativa, ao mesmo tempo que valoriza a experiência acumulada.
Por outro lado, Agostinho Lopes salientou a inclusão de independentes nas listas, referindo que se trata de “quadros sem filiação partidária, com visibilidade social”, que, no seu entender, representam “claras mais-valias no Parlamento e na atividade pública”. Assim, o MpD procura alargar a sua base de apoio e responder ao desejo de mudança manifestado por diferentes setores da sociedade.
Relativamente ao posicionamento eleitoral, o secretário-geral afirmou que o partido concorre em todos os círculos eleitorais — dez no território nacional e três na diáspora — e assegurou que “o nosso objetivo é ganhar estas eleições com maioria absoluta”. Ainda de acordo com o responsável, “todos os dados disponíveis apontam que este resultado está ao nosso alcance”, podendo o MpD tornar-se o partido mais votado nos círculos de maior dimensão.
No que diz respeito às metas por círculo eleitoral, o dirigente explicou, por exemplo, que o partido pretende manter os quatro deputados em Santo Antão, eleger cinco em São Vicente e reforçar a sua posição em Santiago Norte e Santiago Sul, onde ambiciona vencer com oito e dez deputados, respetivamente. Acrescentou ainda que o MpD quer consolidar a sua presença nas restantes ilhas e círculos da diáspora, mantendo ou aumentando a representação parlamentar.
Durante a apresentação, foram também anunciados os principais cabeças de lista. Em Santo Antão, o partido volta a apostar em Jorge Pedro Maurício dos Santos, enquanto em São Vicente lidera Paulo Augusto Rocha. Já em Santiago Sul, a lista é encabeçada por José Ulisses Correia e Silva, presidente do partido, numa escolha que, segundo Agostinho Lopes, “dispensa apresentações”.
Entretanto, o MpD introduz novas figuras em vários círculos. É o caso de Marcos Andrade Mendes, na Boa Vista, descrito como advogado e empresário independente, e de Ivone Delgado Cardoso, na Brava, cuja escolha representa, segundo o dirigente, uma aposta na liderança feminina e na renovação política. Do mesmo modo, foram destacadas outras candidaturas com perfis técnicos e experiência na administração pública e no setor privado.
No plano político, Agostinho Lopes alertou para o contexto internacional e nacional, considerando que o país enfrenta “momentos conturbados e de muitas incertezas”. Ainda assim, garantiu que o MpD está preparado para responder aos desafios, defendendo que recai sobre o partido “a responsabilidade de garantir que Cabo Verde continue a sua caminhada para o desenvolvimento”.
Por fim, o secretário-geral apelou à mobilização interna, afirmando que “só depende de nós” alcançar os objetivos traçados. Nesse sentido, exortou os militantes e simpatizantes à união, sublinhando a importância de “fortalecer a coesão interna” e de dar resposta às “ameaças que pairam sobre a democracia e o país”.
Com esta apresentação, o MpD dá início a uma nova fase de preparação eleitoral, apostando numa combinação entre renovação, experiência e abertura à sociedade, com vista a reforçar a sua posição no panorama político nacional.