O Secretário-Geral do Movimento para a Democracia (MpD), Agostinho Lopes, declarou que considera a atitude do edil da Câmara Municipal da Praia (CMP), Francisco Carvalho, um “perigo para o Estado de Direito”.
As declarações foram feitas dias antes da celebração dos 35 anos da liberdade e democracia no país, assinalado a 13 de janeiro, e estão relacionadas com o mandado da Procuradoria-Geral da República (PGR) dirigido a Francisco Carvalho.
Segundo Agostinho Lopes, o espanto da situação deve-se ao facto de o presidente da CMP ser um dos suspeitos de praticar crimes de corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos, participação ilícita em negócios e defraudação dos interesses públicos patrimoniais, mas que decide “obstaculizar as diligências e tenta impedir que as buscas sejam feitas”.
“Não o conseguindo, lança o maior ataque à Procuradoria Geral da República, ao Procurador-Geral e demais procuradores envolvidos no processo. O ataque é estendido às autoridades policiais e ao governo que a acusa de corrupção”, acrescentou.
Para Agostinho Lopes, é inaceitável qualquer atitude que tenta impedir o apuramento da verdade dos factos e a realização da justiça. O representante do partido no poder em Cabo Verde lembrou que, de 2002 até ao momento, seis câmaras do MpD foram objeto de buscas, tendo todos os presidentes colaborado com a justiça.
Francisco Carvalho pede adiamento de audição na PGR
O edil da CMP, Francisco Carvalho, deveria ser ouvido na PGR nesta segunda-feira, 22 de dezembro, na sequência das recentes buscas realizadas pelo Ministério Público à CMP.
No entanto, disse que tal não seria possível por se encontrar ausente do país, devido a um “compromisso” que já havia assumido.
Recorde-se que a busca à CMP ocorreu na sequência do auto de instrução n.º 27/2023/2024, que foi aberto pela PGR em 2024 contra a CMP devido a denúncias de “ilegalidades e crimes de corrupção” feitas pelo inspector de Finanças Renato Fernandes.
De acordo com Francisco Carvalho, a CMP está a ser alvo de um “ataque político”, alegadamente promovido pelo MpD, recorrendo à atuação da PGR e da Polícia Nacional.