Cabo Verde: PAICV apresenta nova estratégia para um Cabo Verde Justo e Inclusivo

O XVIII Congresso do PAICV decorreu entre os dias 27 e 29 de junho de 2025, no auditório da Universidade de Cabo Verde, no Campus do Palmarejo Grande, cidade da Praia. Realizado sob o lema “PAICV para Todos, Cabo Verde para Todos”, o congresso assinalou um marco importante para o partido, não apenas por coincidir com as comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, mas também por representar um momento de afirmação política, reflexão estratégica e renovação do compromisso com o futuro do país.

Durante três dias, delegados, dirigentes, militantes e parceiros internacionais reuniram-se para discutir os desafios do presente e traçar as linhas orientadoras para a próxima etapa política do PAICV. O presidente do partido, Francisco Carvalho, apresentou a moção de estratégia nacional, num discurso transmitido em direto, onde destacou com clareza a visão do partido para um Cabo Verde mais justo, moderno, inclusivo e participativo.

Na sua intervenção, Francisco Carvalho começou por sublinhar a importância do momento vivido: “Vamos começar um ponto que é essencial num partido político: ideias que vão ser linhas condutoras para a governação de Cabo Verde a partir de 2026.” Lançou, de seguida, uma análise crítica à governação do MpD nos últimos nove anos, denunciando a ausência de visão estratégica, a falta de reformas estruturais, a degradação dos serviços públicos e o aumento da exclusão social. “Cada dia temos pessoas menos satisfeitas, com menos esperança. A exclusão aumenta, e muitos vivem fora das respostas que um Estado deveria dar.”

“Constatamos uma governação onde falta visão estratégica. Não é possível governar um país com navegação à vista. É preciso planear a 5, 10, 30, 50 anos. O MpD perdeu essa capacidade”, apontou.

O líder do PAICV lamentou também os obstáculos nas ligações inter-ilhas, que impediram até mesmo a presença de alguns delegados no Congresso. Relatando uma frase escutada em São Nicolau e na Brava – “Estamos numa prisão de portas abertas” – deixou claro o impacto real da falência do sistema de transportes no quotidiano das pessoas. Por isso, defendeu a inclusão do transporte interilhas como uma despesa estrutural do Estado, a par da saúde, educação e segurança. “É uma questão de vontade política”, afirmou.

No plano das políticas sociais, Francisco Carvalho reafirmou que o PAICV quer garantir acesso gratuito e universal ao ensino básico e superior, assim como à saúde pública com qualidade. Denunciou a falta de clareza nos anúncios do governo sobre cursos gratuitos na universidade, classificando-os como tentativas de engano. “Ensino superior público gratuito não pode ser um truque de rodapé. É para todos, de forma clara”, frisou. Do mesmo modo, exigiu um sistema de saúde digno, com equipamentos como aparelhos de TAC em todos os municípios, consultas e internamentos verdadeiramente gratuitos, e o fim de situações em que um cidadão tem de escolher entre pagar um táxi para ir ao hospital ou a ficha de consulta.

“A Universidade de Cabo Verde deve oferecer cursos verdadeiramente gratuitos. O truque do MpD é anunciar cursos gratuitos, mas são só 3 cursos, e apenas para 25 estudantes”, denunciou.

A moção estratégica apresentada por Francisco Carvalho defende reformas profundas no Estado, incluindo a redução do número de deputados, a revisão do sistema eleitoral, a regionalização e o combate efetivo à corrupção. “Se defendemos a transparência, temos de assumir de frente o combate às práticas pouco transparentes que têm sido uma constante na governação do MpD”, disse.

A nível económico, o PAICV propõe uma nova abordagem baseada na reindustrialização, valorização da agricultura, economia do mar e empreendedorismo jovem. Francisco Carvalho destacou o desequilíbrio entre os investimentos do Estado na terra e no mar: “Dirigimos 97% do orçamento para a terra, quando o mar representa o contrário. Precisamos inverter essa lógica.” Referiu ainda que toda a produção nacional deve beneficiar de transporte gratuito entre ilhas, como incentivo à integração económica.

O papel da juventude e das mulheres foi também amplamente valorizado, com propostas de criação de escolas de formação política e cívica, incentivo ao empoderamento feminino e promoção de lideranças através da Federação das Mulheres do PAICV. O presidente do partido deixou claro que é preciso formar desde cedo cidadãos politicamente conscientes e socialmente ativos.

A diáspora, considerada um ativo estratégico, foi incluída como parte essencial do plano de desenvolvimento. Francisco Carvalho defendeu a inclusão de verbas específicas no orçamento do Estado para valorizar as competências da diáspora e garantir a sua integração no processo nacional de crescimento, nomeadamente através de programas que facilitem a participação de emigrantes em projetos científicos, educativos e empresariais.

No final do seu discurso, Francisco Carvalho apelou à construção coletiva de uma nova esperança para Cabo Verde. Afirmou que o PAICV se quer próximo das comunidades, reorganizado, com um rosto alegre, combativo e determinado. “Queremos um PAICV sorridente, de braços abertos, que volte a conquistar a confiança dos cabo-verdianos. Um partido de todos, para construir, de facto, um Cabo Verde para todos.”

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