O PAICV realizou, na cidade da Praia, um Encontro de Coordenação Estratégica que reuniu a direção nacional, autarcas, grupo parlamentar e estruturas regionais, com o objetivo de alinhar estratégias e acelerar a preparação para as eleições legislativas de 2026. O partido afirma sair do encontro mais unido, mobilizado e confiante na possibilidade de regressar ao Governo.
Durante três dias de trabalhos, os participantes analisaram o ambiente político nacional, avaliaram o desempenho autárquico do partido, debateram organização interna e apresentaram a estrutura e o plano operacional da campanha legislativa.
O presidente do PAICV, Francisco Carvalho, enquadrou o momento político como decisivo e historicamente relevante, defendendo que as autárquicas de 2024 confirmaram uma mudança de ciclo no país. Afirmou que, “as eleições autárquicas de 2024 marcaram uma viragem inequívoca. O povo falou com clareza e mostrou que quer mudança, seriedade e compromisso com o bem comum.”
Segundo o líder, o resultado eleitoral expressa o cansaço da população face ao atual modelo de governação e a procura de uma alternativa centrada nas pessoas. Mas também, sustentou que o PAICV se apresenta como um partido de missão histórica, com tradição de construção do Estado e foco na dignidade humana, contrastando com o que descreveu como governação baseada em projetos individuais.
O secretário-geral, Vladmir Silves Ferreira, explicou que o encontro teve também função organizativa, visando reforçar a articulação entre estruturas partidárias e autarquias e preparar a mobilização eleitoral.
Na abertura dos trabalhos, saudou os dirigentes presentes e destacou o caráter de diálogo e troca de ideias do encontro, “estamos motivados e reforçados para a próxima disputa, com o objetivo de colocar o PAICV em condições de ganhar as legislativas de 2026 de forma clara.”
O dirigente referiu que dados internos indicam elevada percepção positiva do partido e da sua liderança junto do eleitorado, com níveis de intenção de voto próximos de metade dos eleitores decididos. Em que, explicou o trabalho político deverá concentrar-se sobretudo nos indecisos e na mobilização dos abstencionistas, através de uma máquina partidária mais organizada e próxima das bases.
O secretário-geral apresentou ainda o programa de trabalhos do encontro, que incluiu sessões plenárias, debates políticos, apresentação de diagnósticos eleitorais e oficinas municipais com análise individual dos 22 municípios, avaliando governação local, percepção do Governo central e prioridades reivindicativas.
A coordenadora nacional da campanha legislativa, Fátima Fialho, por sua vez detalhou a organização da equipa eleitoral e o estágio de preparação.
Segundo afirmou, a estrutura funciona com coordenação central e coordenadores adjuntos em áreas estratégicas como recenseamento, comunicação e imagem, logística e orçamento. “Temos uma equipa organizada por áreas e com responsabilidades atribuídas. O plano de atividades está praticamente concluído para que, quando chegar o período oficial de campanha, o trabalho esteja feito”, explicou.
A responsável salientou que a prioridade imediata é a articulação entre níveis nacional, regional, municipal, setorial e diáspora, devendo o modelo organizativo ser replicado em todas as estruturas. Também apelou à mobilização das mulheres e à disciplina comunicacional do partido, pois “temos de ter uma voz única e seguir a mesma linha de mensagem em todo o país.”
Oficinas municipais e base de dados eleitoral
Entre os temas operacionais, o encontro incluiu a apresentação da nova base de dados do partido e a partilha de boas práticas municipais. Segundo a direção, alguns municípios já dispõem de sistemas organizados de informação eleitoral e mobilização local, enquanto outros necessitam de reforço e acompanhamento.
O secretário-geral indicou que a uniformização da organização interna municipal é considerada essencial para o sucesso eleitoral, tendo sido definidos incentivos e orientações para acelerar a implementação.
O programa incluiu ainda sessões específicas por município, com análise de indicadores políticos locais, avaliação das lideranças e identificação das principais reivindicações e perceções dos eleitores.
No encerramento, o presidente reiterou que o partido pretende apresentar ao país uma alternativa credível de governação. Em seu discurso, afirmou: “O PAICV sempre foi um partido voltado para as pessoas, para a dignidade humana e para a construção de oportunidades.”
O líder recordou o papel histórico do partido na independência e na construção do Estado cabo-verdiano, defendendo que o país necessita novamente de uma liderança com visão coletiva e foco nacional, “mais alinhado, mais determinado e mais unido”, reiterando que a democracia interna e o debate plural são pilares da preparação para governar.
O partido assume como meta política vencer as eleições legislativas previstas para 2026 e regressar ao poder em Cabo Verde.