O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Pereira Neves, fez um discurso contundente na Cimeira do Futuro, apelando à comunidade internacional por soluções multilaterais urgentes que possam construir “um futuro melhor para todos”. Com o tema “Soluções Multilaterais para um Futuro Melhor”, Neves destacou a necessidade de ações concretas, especialmente para os países mais vulneráveis, sublinhando que o mundo enfrenta desafios globais cada vez mais complexos.
“Esta Cimeira tem de ser ambiciosa”, afirmou o presidente, referindo-se ao compromisso assumido com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ele lembrou que, apesar das conquistas alcançadas, o processo ainda está aquém do esperado, particularmente devido à falta de financiamento adequado. “Uma das razões que tem impedido o avanço é o persistente gap entre os anúncios feitos e os desembolsos efetivos”, sublinhou, defendendo uma reforma da Arquitetura Financeira Internacional para alinhar o financiamento às necessidades de desenvolvimento global.
Crises Globais e Multilateralismo Fragilizado
Neves também chamou a atenção para a crescente instabilidade em diversas partes do mundo, citando a proliferação de guerras, conflitos intraestatais e terrorismo. O presidente ressaltou que, mesmo em tempos de paz, as tensões políticas, a subversão da ordem constitucional e as violações dos direitos humanos são preocupações constantes. “Divisões políticas e ideológicas estão a prejudicar o funcionamento das instituições multilaterais, afetando a sua capacidade de encontrar soluções duráveis”, alertou Neves.
Além disso, o acesso desigual às inovações tecnológicas e os riscos associados à cibersegurança e à inteligência artificial foram apontados como outros grandes desafios globais. “Precisamos de um quadro de cooperação internacional mais eficaz para garantir que as futuras gerações tenham acesso aos benefícios da ciência e da tecnologia”, frisou o presidente.
Reformas no Conselho de Segurança
Neves apelou também por uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmando que o órgão se tornaria mais eficaz com a expansão do número de membros e a redução da interferência do veto. “É urgente garantir um equilíbrio de representatividade regional”, afirmou.
No entanto, o presidente de Cabo Verde foi claro ao destacar que, além das reformas globais, é fundamental que cada nação assuma a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento. “O desenvolvimento é uma questão eminentemente cultural, e sua plena realização depende, antes de mais nada, da ação de cada um dos nossos países”, afirmou Neves, apelando para que cada líder faça o seu “trabalho de casa”.
Compromisso Coletivo pelo Futuro
Encerrando o discurso, José Maria Neves reforçou a importância de um compromisso coletivo. “Esta Cimeira deve transformar-se num apelo vibrante para que o futuro da humanidade não seja hipotecado pela inércia ou pela inação”, exortou o presidente. Ele finalizou com a esperança de que o “Pacto do Futuro” proporcione mais do que esperança: que transforme essas expectativas em resultados concretos e acessíveis a todos.