Cabo Verde: UCID aposta em independentes para desafiar bipartidarismo nas legislativas de 2026

A UCID apresentou as suas listas de candidatos às eleições legislativas de 17 de maio de 2026, destacando a integração de figuras provenientes de outras forças políticas e de independentes, numa estratégia assumida para romper com o bipartidarismo em Cabo Verde.

Entre os nomes mais relevantes, surge Alberto Augusto de Mello Lima Filho, conhecido como “Beta”, antigo militante do MpD que recentemente saiu do partido, liderando agora a lista da UCID por Santiago Sul. Também em evidência está Casimiro Jesus Lopes de Pina, até então deputado independente, que encabeça a candidatura pelo círculo do Fogo.

Na apresentação pública, o presidente da UCID, João Santos Luís, afirmou que o partido pretende afirmar-se como uma alternativa credível ao modelo político dominado pelos dois principais partidos, defendendo uma “nova configuração” do parlamento. O líder sublinhou que a inclusão de perfis independentes e dissidentes demonstra a abertura da UCID a diferentes sensibilidades políticas.

Segundo João Santos Luís, Cabo Verde enfrenta uma crescente descrença dos cidadãos, refletida na elevada abstenção eleitoral, que atribui à insatisfação com a alternância entre as forças tradicionais. Neste sentido, apelou à mobilização dos eleitores, defendendo que a participação é essencial para promover mudanças no sistema político.

Além de Santiago Sul e Fogo, a UCID apresentou cabeças de lista para vários círculos, incluindo o próprio João Santos Luís por São Vicente, Adelgiza de Jesus da Costa da Veiga Monteiro por Santiago Norte e Carlos Bartolomeu Lima Gomes por Santo Antão. A nível da diáspora, o partido indicou candidatos para África, Américas e Europa e Resto do Mundo.

A UCID sustenta que as listas refletem independência face às “redes de poder” e incluem candidatos com experiência profissional e ligação às comunidades, defendendo que essa diversidade constitui um fator diferenciador face aos partidos tradicionais.

Com esta estratégia, o partido afirma-se determinado a captar o eleitorado descontente e a afirmar-se como terceira força política, apostando numa agenda de maior transparência, equilíbrio e inclusão no sistema democrático cabo-verdiano.

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