A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) celebrou esta sexta-feira, 21 de novembro, o seu 19.º aniversário com uma sessão solene marcada pela convergência entre estudantes, funcionários, docentes e Governo sobre a importância estratégica da universidade pública para o desenvolvimento do país. O Ministro da Educação, Amadeu Cruz, presidiu a cerimónia realizada no Centro de Convenções do Campus do Palmarejo Grande, onde reafirmou que a instituição é “um farol do progresso científico e tecnológico” e um pilar na formação do capital humano nacional.
Na sua intervenção, o Ministro destacou o papel central do campus do Palmarejo Grande, que classificou como “um símbolo da mobilização da vontade nacional” e da parceria com a República Popular da China. Sublinhou ainda que o Estado assegura mais de 500 mil contos anuais à universidade, entre gestão corrente e bolsas de estudo, e defendeu um modelo de financiamento alinhado com padrões internacionais, assente na excelência, eficiência e internacionalização. Amadeu Cruz reiterou também o compromisso governamental com a equidade social, evidenciado pelo aumento de bolsas, apoios extraordinários e isenção de propinas para estudantes com deficiência.
A sessão foi igualmente marcada pelas intervenções das três principais componentes da comunidade académica. Em representação dos estudantes, Deriques Monteiro descreveu a Uni-CV como “prova de que o sonho cabo-verdiano é resiliente, determinado e transformador”, apelando ao cuidado com as infraestruturas e ao reforço da mobilidade no espaço africano, sobretudo na CEDEAO. Pediu ainda maior apoio institucional à Associação de Estudantes e atenção às condições dos alunos do Centro de Recursos Integrados das regiões do Fogo e da Brava.
Do lado dos funcionários, a representante Cláudia Inocêncio, em ligação a partir do Polo II, Mindelo, traçou uma perspetiva histórica sobre o crescimento da Uni-CV, lembrando os anos iniciais de grande polivalência e energia. Destacou o papel dos serviços de ação social no apoio a estudantes vulneráveis e sublinhou a importância da formação contínua, da definição de carreiras e da introdução de sistemas de informação que modernizaram a gestão académica. Considerou que cada laboratório e cada sala representam o “compromisso da universidade com a excelência”.
A intervenção da docente Francisca Freire Monteiro introduziu uma leitura a partir da psicologia e da cultura organizacional, definindo a voz dos professores como “uma voz de responsabilidade e compromisso”. Alertou para os riscos do individualismo e defendeu que o progresso académico só se consolida num ambiente cooperativo, interdisciplinar e centrado no bem-estar. “A universidade precisa que sejamos um coletivo, uma trança de diversidades”, afirmou, lembrando que cada estudante é “razão maior” do trabalho de todos.
No plano institucional, o Ministro da Educação aproveitou o momento para pedir serenidade e coesão no contexto das eleições reitorais que se avizinham. Reconheceu o contributo das anteriores equipas reitorais e apelou a que eventuais divergências sejam conduzidas com moderação e sentido de missão, de forma a proteger “a nossa casa comum, a Universidade de Cabo Verde”. Concluiu defendendo que Governo, reitoria, docentes, funcionários e estudantes devem continuar juntos na construção de um ensino superior “mais inclusivo, mais resiliente e alinhado com os imperativos do desenvolvimento sustentável”.
A sessão encerrou com uma linha clara de unidade: a Uni-CV chega aos 19 anos como espaço de memória, serviço público, investigação e transformação social, mas também como um projeto em constante construção, dependente do empenho coletivo e da capacidade de diálogo interno. A convergência entre discursos académicos e governamentais reforçou a mensagem de que a universidade pública continua a ser uma peça central na estratégia de Cabo Verde para o futuro.