Nos dias 10 a 12 de outubro de 2024, Cabo Verde foi atingido por uma onda tropical que causou graves danos em diversas ilhas do arquipélago, com maior impacto em São Nicolau, Sal e no concelho de Porto Novo, na ilha de Santo Antão. Os efeitos deste fenómeno natural incluíram ventos fortes, chuvas intensas, trovoadas e agitação marítima que resultaram em danos significativos em infraestruturas e habitações, afetando diretamente a pesca artesanal, a agricultura e a mobilidade da população.
Perante a gravidade da situação, o Governo de Cabo Verde aprovou, a 30 de outubro de 2024, uma resolução que declara a situação de calamidade nessas regiões. Esta medida visa possibilitar a implementação de intervenções urgentes e excecionais para reparar os estragos causados e restaurar as condições de vida nas áreas afetadas.
Entre os danos destacados, o Cais de Preguiça, em São Nicolau, sofreu sérios prejuízos que comprometeram sua estrutura e a produção de gelo, fundamental para a pesca artesanal. Também foram registados danos em oito habitações familiares nas localidades de Estância de Brás e Canto Fajã. No Sal, o Pontão de Santa Maria colapsou devido à forte agitação marítima, impossibilitando a continuidade das atividades de pesca.
Na ilha de Santo Antão, em Porto Novo, os estragos atingiram as estradas municipais e caminhos vicinais, prejudicando a circulação de pessoas e mercadorias. Além disso, foi relatado que trilhos turísticos nas ilhas de Santo Antão e São Nicolau também sofreram danos.
As intervenções imediatas incluem obras temporárias para garantir a segurança e o funcionamento mínimo das infraestruturas danificadas, enquanto decorrem projetos de reconstrução, como a construção de novos cais de pesca em Preguiça e um novo pontão em Santa Maria. As obras serão financiadas por parceiros internacionais e coordenadas pelos ministérios e câmaras municipais locais.
A situação de calamidade terá a duração inicial de seis meses, podendo ser prorrogada caso necessário. Durante este período, as autoridades irão supervisionar e coordenar as ações de reabilitação e reconstrução, garantindo a segurança da população e a continuidade das atividades económicas nas regiões afetadas.