Cabo Verde: PAICV alerta para agravamento da situação política e social

Em conferência de imprensa realizada na sede nacional do partido, o Secretário-Geral e porta-voz do PAICV, Vladmir Silves Ferreira, afirmou que a estagnação é evidente em áreas estratégicas como energia, água, mobilidade inter-ilhas e infraestruturas. “Faltam políticas públicas inclusivas capazes de chegar a todas as camadas da população”, sublinhou.

As declarações surgiram após a reunião ordinária da Comissão Política do partido, liderada pelo Presidente Francisco Carvalho, que teve como ponto único a análise da situação política e social do país. No final do encontro, o PAICV concluiu que Cabo Verde atravessa um momento “dramático”, marcado por falências estruturais em setores essenciais para o funcionamento da sociedade, das famílias e da economia nacional.

Um dos pontos mais críticos apontados foi o setor energético. Segundo o partido, o Governo recebeu, em 2016, uma central elétrica renovada, com capacidade para cobrir 200% das necessidades da ilha de Santiago. Contudo, a falta de investimentos e a alegada incompetência na gestão levaram o país a enfrentar constantes apagões, fragilizando empresas, serviços públicos e a vida quotidiana dos cidadãos.

Na educação, o PAICV denuncia incertezas e irregularidades no processo de implementação do novo Plano Curricular do Ensino Básico (PCEB), destacando, em particular, a polémica introdução do manual de Língua Cabo-verdiana. O partido alerta que o próprio Ministério da Educação não confia na equipa de especialistas contratada e tudo indica que milhares de exemplares já impressos poderão ser descartados.

Relativamente aos transportes, tanto marítimos como aéreos, o partido aponta “crónicos problemas de irregularidades”, traduzidos em preços elevados, cancelamentos diários, improviso e amadorismo. Para o PAICV, a contínua fragilização das instituições de regulação demonstra um quadro de “descalabro da governação”.

O partido acusa ainda o Governo e os seus apoiantes de preferirem “fazer uma fuga em frente”, elevando a crispação política com ataques verbais ao Presidente do PAICV, em vez de enfrentarem os reais problemas do país.

A seis meses das próximas eleições legislativas, Francisco Carvalho apela à serenidade e a um discurso político elevado. O líder do PAICV afirma estar a trabalhar para mobilizar amplos setores da sociedade civil, da academia e dos operadores económicos, em torno de um novo projeto de resgate e desenvolvimento, que garanta “um Cabo Verde efetivamente para todos”.

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