O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Pereira Neves, afirmou que a CEDEAO enfrenta momentos desafiadores e exige reformas profundas para adaptar-se às mudanças geopolíticas e geoeconómicas da região.
Durante a abertura da II Conferência Internacional de Economia do ISCEE, na Praia, o chefe de Estado destacou o tema central do evento, “CEDEAO: Desafios e Perspetivas”, como um espaço essencial para a discussão sobre o futuro da comunidade oeste-africana.
“É fundamental que a CEDEAO se reinvente e acelere a integração económica regional. O 50º aniversário da organização, em 2025, representa uma oportunidade histórica para essa transformação”, declarou o presidente. Ele sugeriu que a CEDEAO se concentre em promover a integração económica, enquanto questões de segurança sejam tratadas pela União Africana, no âmbito de um sistema de governança multinível.
Reformas e Desafios
Durante o discurso, José Maria Neves destacou que a falta de infraestrutura, a instabilidade política e a crescente ameaça do terrorismo continuam sendo grandes obstáculos ao desenvolvimento na sub-região. Ele enfatizou que problemas como estradas precárias, acesso limitado a energia e água, além da dependência de economias pouco diversificadas, comprometem o crescimento sustentável.
Ele também mencionou as recentes crises políticas em alguns países da CEDEAO, incluindo Burkina Faso, Mali e Níger, que anunciaram a criação da Aliança dos Estados do Sahel (AIS). Para o presidente cabo-verdiano, a saída desses países representa uma ameaça à paz e estabilidade regional. “Espero que as negociações lideradas pelo Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, resultem em soluções positivas. A saída desses países seria catastrófica para a região”, alertou.
Cabo Verde e a CEDEAO
Sobre Cabo Verde, José Maria Neves reafirmou o compromisso do país com a integração na CEDEAO, mas lamentou o atraso em algumas áreas. “Relativamente à nossa integração, já devíamos estar muito mais avançados”, disse. Ele ressaltou que a adesão plena ao bloco pode trazer benefícios significativos, como maior investimento, trocas comerciais e projetos regionais que impulsionem o desenvolvimento nacional.
Ele defendeu também o uso do artigo 68.º do Tratado Revisto da CEDEAO, que prevê tratamento diferenciado para Estados insulares, permitindo soluções específicas para Cabo Verde em temas como mobilidade, tarifas e acesso a financiamentos.
Academia e Integração
O presidente elogiou a contribuição do ISCEE, destacando o papel da academia na promoção de debates sobre o desenvolvimento regional. “O ISCEE, ao organizar esta conferência, coloca o saber científico ao serviço das sociedades e dos Estados membros. Isso é fundamental para o avanço da nossa comunidade”, afirmou.
Neves finalizou o discurso apelando à união dos Estados membros para superar os desafios. “Os obstáculos estão identificados há muito tempo. É hora de implementar as medidas necessárias para garantir um futuro de crescimento inclusivo e sustentável na nossa sub-região”, concluiu.
A conferência, com programação rica e abrangente, ocorre na Praia e no Mindelo e reúne especialistas, académicos e líderes regionais para dois dias de debates intensos sobre o presente e o futuro da CEDEAO.