Falecimento do embaixador de Portugal em Cabo Verde mereceu mensagens de voluntários luso-brasileiros

A morte do embaixador de Portugal em Cabo Verde, Paulo Lourenço, faleceu vítima de um enfarte cardíaco fulminante, aos 52 anos de idade, no 24 de maio, na cidade da Praia, e cujo velório decorreu na semana passada, na Basílica da Estrela, em Lisboa, mereceu a homenagem de diversas figuras políticas e organizações da sociedade civil.

O embaixador sentiu-se mal ao chegar a casa, à noite, após uma caminhada. Apesar das manobras de reanimação, chegou já sem vida ao Hospital Agostinho Neto, na capital cabo-verdiana, para onde foi transportado de ambulância.

Durante o dia, ainda no exercício das suas funções, o diplomata participou em atividades públicas no centro histórico da Praia e na Escola Portuguesa de Cabo Verde.

A notícia mereceu reação imediata do presidente e do primeiro-ministro de Cabo Verde. Diversas autoridades portuguesas expressaram palavras de apoio à sua família.

“Foi com profunda tristeza que o Governo de Cabo Verde tomou conhecimento da morte do embaixador de Portugal em Cabo Verde”, função que desempenhou “com elevado sentido de Estado, sempre atento e disponível para cooperar, para o fortalecimento das relações entre Cabo Verde e Portugal, a todo os níveis”, lê-se numa nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país africano.

Por seu turno, o presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, também lamentou “uma enorme perda”.

“Um homem culto, vigoroso e inovador” que “estava a pôr novos e importantes pilares nas excelentes relações entre Cabo Verde e Portugal”, deixando “saudades e um vazio impreenchível”, escreveu o chefe de Estado na sua página pessoal na rede social Facebook.

O presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte de Paulo Lourenço, que recordou como “diplomata competente e dedicado”. Numa mensagem de pesar, publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, refere-se que Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, na sexta-feira à noite, “a triste notícia do falecimento repentino do embaixador Paulo Lourenço”.

Em nota enviada à imprensa, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, expressou “profundo pesar pela morte do Embaixador de Portugal em Cabo Verde, Paulo Lourenço”, que era um “diplomata com uma brilhante carreira de quase 30 anos ao serviço do Estado, com quem estive há umas semanas na visita a Cabo Verde. Sentidas condolências à família, aos amigos e à carreira diplomática portuguesa”.

Também através de nota, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, apresentou, “com profundo pesar, em nome do Governo português e em meu nome, sentidas condolências à família do Embaixador Paulo Lourenço. Diplomata exemplar, ontem falecido em Cabo-Verde, aí granjeou enorme reconhecimento, prestígio e simpatia, que pessoalmente pude testemunhar”.

“O Governo português agradece, sensibilizado, as mensagens solidárias do Presidente da República e do Governo de Cabo Verde, diante do falecimento do Embaixador Paulo Lourenço. Agradece também a diligência incansável e sensível do MNE de Cabo Verde, Rui Figueiredo Soares, neste doloroso transe”, finalizou Rangel.

Em abril, Paulo Lourenço acompanhou a visita do primeiro-ministro português a Cabo Verde. No mês seguinte, foi a vez de Marcelo Rebelo de Sousa viajar ao país, tendo Paulo Lourenço acompanhado o programa.

Em outubro de 2023, a nossa reportagem acompanhou uma vista de mais de 20 voluntários luso-brasileiros à embaixada de Portugal em Cabo Verde. O grupo, organizado pela Associação Mais Lusofonia, com sede em Portugal, realizava nova etapa de uma missão humanitária habitual ao país africano, com passagens pelas ilhas de Santiago e Brava.

Na capital do país, Praia, os voluntários, que levaram na bagagem mais de uma tonelada em doações, foram recebidos por Paulo Lourenço nas instalações da embaixada, que conversou sobre as conexões entre Portugal, África e Brasil e reconheceu o trabalho da Associação em prol desse país irmão. O diplomata foi homenageado pelos voluntários.

Nas redes sociais, Sofia Lourenço, presidente da Associação Mais Lusofonia, referiu que “é com grande pesar que recebemos esta notícia”.

“Relembramos que na nossa última visita a Cabo Verde, o Sr. Embaixador Paulo Lourenço recebeu-nos com a maior dignidade e simpatia. As nossas condolências”, sublinhou Sofia Lourenço.

Currículo a serviço do Estado português

Paulo Jorge Lopes Lourenço nasceu a 10 de março de 1972, em Angola. Era diplomata de carreira, desde 1995, e desempenhou funções nas embaixadas de Portugal em Luanda, Londres, Sarajevo e Belgrado. Entre 2012 e 2018, foi cônsul-geral em São Paulo, no Brasil.

Era licenciado em Direito pela Universidade Católica de Lisboa e Mestre em Ciências Jurídico-Comunitárias pela Universidade Católica de Lisboa. Foi aprovado no concurso de admissão aos lugares de adido de embaixada, aberto em 27 de maio de 1995, ao qual se seguiu uma carreira na diplomacia, em diversos países.

Recebeu Medalha de Serviços Distintos, Grau Ouro em 2019; a Medalha de Defesa Nacional em 2006; a Medalha de Defesa Nacional em 2005; um Louvor da Ministra da Defesa Nacional, em 2 de dezembro de 2022 e a Medalha da Defesa Nacional, de 1ª classe, em 2022.

Ígor Lopes

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