O primeiro-ministro e ministro das Finanças da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, afirmou que “quem não quer crítica que fique na sua casa”. O recado foi dado no último fim de semana, durante a inauguração da iluminação elétrica ocorrida em Catió.
No discurso, o chefe do Governo defendeu que o país precisa de paz, de união e do fim da política do medo, horas antes de o poder de transição promover uma profunda remodelação no Serviço de Informação e Segurança (SIS), na Procuradoria-Geral da República (PGR), no Tribunal de Contas e na Brigada de Ação Fiscal (BAF).
“Se não há paz e união, onde estaremos aqui? Esta terra precisa de paz e acalmia, precisa de todos os seus filhos. É com entendimento que a terra pode desenvolver. Guerreámos tanto na Guiné-Bissau, é preciso dizer basta”, declarou perante a população de Catió.
Numa mensagem direta contra abusos de poder, acrescentou que “ninguém tem direito de impedir o outro de falar, de torturar. Todos nós somos livres de expressar, mas de forma organizada e pedagógica, de forma a criticar, porque um governante deve aceitar crítica. Quem não quer critica que fique na sua casa”.
Vieira Té defendeu ainda a igualdade entre todos os guineenses e uma nova forma de demonstrar força do Estado. “Todos nós somos iguais. A Guiné-Bissau não pode ter cidadão de primeira, segunda e terceira classe. Todos nós vamos passar e as instituições ficam. Temos que acabar com a demonstração de força, a demonstração de força é construir a escola, mercado e hospitais”, expôs.
“Temos que estar à vontade nesta terra, esta terra é nossa. Não podemos sentir-nos intimidados aqui. Porque são vocês que pagam imposto, é esse imposto que usamos para construir”, concluiu.
Operação de limpeza 24 horas após o discurso
As palavras do primeiro-ministro em Catió acabaram por ser o prelúdio do que aconteceria nesta segunda-feira, 19 de outubro, em Bissau. Numa verdadeira operação de limpeza em 24 horas, o Presidente de Transição, Horta Inta-a, exonerou por Decreto Presidencial o Procurador-Geral da República (PGR), Amadu Tidjane Baldé, e o Presidente do Tribunal de Contas, Gamal Abdel Cassama, ambos nomeados após o 26 de novembro de 2025 e tidos como próximos do antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló.
Para os seus lugares foram nomeados Mário Ialá, como novo PGR, e Armando Sumba, para a presidência do Tribunal de Contas.
No mesmo dia, Ilídio Vieira Té empossou Júlio Abna como novo Diretor-Geral do SIS, tendo defendido que a instituição deve abandonar o cariz político e adotar uma orientação técnico-científica. O novo responsável disse conhecer a casa e estar preparado para as reformas.
Ainda por Despacho n.º 077/PM/2026 foi nomeado Juelcio Idifonso Mendonça como novo Comandante da BAF, em comissão de serviço.