Guiné-Bissau: Nelson e Sulai libertados após detenção durante contagem eleitoral

Nelson António da Silva e Sulai, jornalistas da Rádio Capital FM, foram libertados depois de permanecerem várias horas detidos na Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública, em Bissau. A libertação foi confirmada pela estação radiofónica e pelo Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social da Guiné-Bissau (SINJOTECS).

Os dois jornalistas tinham sido detidos durante a contagem dos votos. Assim que tomou conhecimento do caso, o SINJOTECS iniciou contactos com responsáveis da Capital FM e realizou diligências junto do Ministério do Interior e da Ordem Pública para esclarecer as circunstâncias e procurar uma solução rápida.

Numa nota divulgada após a libertação, o Ministério rejeitou as informações que apontavam para um eventual rapto. De acordo com a sua versão, o incidente começou quando um jornalista e o presidente de uma mesa de voto divergiram sobre a validade de um boletim considerado nulo.

O responsável pela assembleia de voto terá solicitado a intervenção dos agentes destacados para garantir a segurança do processo. Depois de uma discussão, o profissional foi conduzido à Segunda Esquadra para prestar declarações.

O Ministério acrescentou que foram encontrados na sua posse crachás de identificação pertencentes a outra pessoa. Os responsáveis da Rádio Capital FM terão sido contactados para confirmar a titularidade dos documentos. Como o episódio ocorreu fora do horário normal de expediente, as diligências apenas foram retomadas na manhã seguinte, quando o jornalista foi ouvido e libertado.

“As informações que dão conta de um alegado rapto do jornalista são falsas e não correspondem à verdade dos fatos”, declarou o Ministério, reafirmando a intenção de preservar uma relação institucional com os órgãos de comunicação social.

O SINJOTECS, por sua vez, atribuiu o desfecho às diligências realizadas e ao envolvimento das entidades competentes. Apesar da libertação, o sindicato pediu às autoridades que reforcem a proteção dos jornalistas e assegurem o exercício da profissão sem intimidações, ameaças ou detenções arbitrárias.

“A liberdade de imprensa constitui um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade democrática”, sublinhou o sindicato, reiterando o seu “firme e inabalável compromisso” com a liberdade de expressão e a segurança dos profissionais da comunicação social na Guiné-Bissau.

A Capital FM agradeceu as manifestações de solidariedade, o repúdio pela detenção e as intervenções efetuadas durante as horas em que Nelson e Sulai permaneceram sob custódia. A libertação encerrou o episódio imediato, mas voltou a colocar no centro do debate as condições de segurança em que os jornalistas acompanham acontecimentos políticos e eleitorais no país.

(imagem de ilustração)

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