O presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, alertou esta terça-feira (30.07) para a ameaça crescente que o unilateralismo representa à cooperação global, durante discurso na 6.ª Conferência Interparlamentar das Nações Unidas, realizada em Genebra de 29 a 31 de julho.
Na sua intervenção, Simões Pereira ressaltou que a comunidade internacional atravessa um período de profunda instabilidade, marcado por “incertezas e enfraquecimento do multilateralismo, diante da ascensão do unilateralismo nas relações internacionais”. O líder político guineense sublinhou que “essa tendência ameaça conquistas históricas da cooperação global em prol da paz, da justiça e do progresso”.
O dirigente frisou ainda o papel dos parlamentos, que considera terem “o dever de proteger os valores da paz, liberdade, autodeterminação e direitos humanos, consagrados na Carta das Nações Unidas”.
Simões Pereira defendeu a necessidade urgente de reformar o Conselho de Segurança da ONU, afirmando que “a responsabilidade pela manutenção da paz e da segurança global foi confiada ao Conselho de Segurança, mas que essa missão só será eficaz se esse órgão for reformado para refletir as realidades geopolíticas atuais e promover uma ordem internacional mais representativa e justa”.
O também líder da Coligação PAI-Terra Ranka destacou ainda “a importância da defesa dos direitos de crianças, mulheres e populações vulneráveis, e a necessidade de coragem política e visão estratégica para rever os mecanismos de prevenção e resposta diante das crescentes ameaças à paz”.
Simões Pereira concluiu que “o mundo já não pode ser governado sob lógicas unipolares ou bipolares”, e enfatizou que, numa era multipolar, são necessárias “instituições multilaterais mais inclusivas e eficazes”. O presidente do Parlamento reafirmou ainda, que a cooperação “é o caminho comum e o multilateralismo é a melhor ferramenta para garantir paz, justiça e prosperidade para todos”.
Mamandin Indjai