Umaro Sissoco Embaló anunciou à Jeune Afrique que será candidato à eleição presidencial de 6 de dezembro na Guiné-Bissau, confirmando uma intenção para a qual já apontavam numerosos indícios. O antigo chefe de Estado, que esteve em funções até o golpe militar de 26 de novembro de 2025, prevê regressar a Bissau em 4 de outubro.
«Sim, serei candidato», declarou Embaló à publicação, a partir de Brazzaville, onde se encontra. A afirmação consta de um artigo publicado a 28 de setembro e torna explícito o objetivo político do seu regresso, menos de um ano depois de ter deixado o poder.
O anúncio surge, assim, mais como a confirmação de uma candidatura esperada do que como uma surpresa. A preparação do regresso, a mobilização partidária e a construção de uma plataforma de apoio, descritas pela Jeune Afrique, dão expressão à intenção de voltar a disputar a Presidência.
Segundo a publicação, o calendário delineado por Embaló prevê, depois da chegada a Bissau, a realização de um congresso do MADEM-G15, nos dias 16 e 17 de outubro. Seguir-se-á o relançamento da “Plataforma Republicana”, que deverá reunir cerca de uma dezena de partidos e apoiar a sua candidatura.
Este anúncio constitui uma declaração de intenção política, não correspondendo, por si só, à apresentação formal ou à validação da candidatura pelas instâncias eleitorais competentes.
A Jeune Afrique escreve que Embaló está convencido de que o atual presidente de transição, general Horta Inta-a, respeitará as disposições da Carta de Transição e não se apresentará às eleições. Trata-se de uma expectativa do antigo chefe de Estado, que, segundo a revista, manteve uma relação de proximidade com o general, apesar do seu papel no afastamento de Embaló.
A disputa presidencial decorrerá num quadro institucional profundamente alterado. De acordo com a publicação, a Constituição adotada no referendo de 30 de agosto reforçou consideravelmente os poderes do Presidente da República, consagrando um regime presidencial forte. A consulta foi boicotada pela oposição, que denunciou um «golpe de força institucional».
A reforma corresponde a uma orientação que sempre foi defendida por Sissoco Embaló durante os seus cinco anos no poder. Caso regresse à Presidência, encontrará, consequentemente, um cargo com prerrogativas mais amplas, num contexto marcado pela contestação da oposição ao processo de transição e à revisão constitucional.
Após a saída de Bissau, Embaló instalou-se em Marrocos e, nos últimos meses, acompanhou o antigo presidente senegalês Macky Sall em deslocações internacionais destinadas a promover a sua candidatura ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas.