O ambientalista macaense, Joe Chan Chon Meng, entregou, na semana passada, uma petição contra a criação de uma ilha para depósito de lixo e pretende que o Governo torne público um relatório científico sobre a vida marinha na área.
Em 2018, um estudo sobre golfinhos brancos nas águas de Macau, conduzido pelas autoridades do território e a Universidade de Zhongshan, na província de Guangdong, indicou a existência destes mamíferos numa zona onde agora o Governo está a estudar a criação da chamada ilha ecológica, referiu o ambientalista à agência Lusa.
“Mantiveram alguma investigação confidencial, não a publicaram e consideramos inaceitável. Propõem algo, mas não há transparência (…) nós também recebemos o relatório, mas eles (Governo) não nos deixam divulgar junto do público, precisamos de autorização”, lamentou o líder da associação Green Students Union.
Joe Chan defende que há falta de “provas, dados científicos ou investigação que sustentem a ideia”. Sem esses dados e sem o “estudo confidencial” de 2018, o ambientalista acredita que a população não está devidamente informada sobre o que está em causa. “Dizem que não há golfinhos na área, que não vai ter impacto marítimo. É completamente falso. Não só académicos de Macau mas também biólogos marinhos de Hong Kong fizeram investigação (…) naquela área aparecem muitos golfinhos brancos e este é um dos seus principais habitats”, assegura.
As autoridades sublinham que, com o contínuo desenvolvimento do território, “haverá uma quantidade significativa de resíduos de construção que precisam de ser aterrados” e a “ilha ecológica”, a sul de Coloane, vai resolver “efetivamente o problema de disposição de resíduos urbanos”. O diretor dos Serviços de Proteção Ambiental, Raymond Tam Vai Man, afirmou, em janeiro, ao Canal Macau da Teledifusão de Macau que um estudo de impacto ambiental feito pelas autoridades concluiu que “os golfinhos brancos chineses reúnem-se sobretudo a sul do final da pista do aeroporto e não na área onde vai ficar a zona ecológica”.
“Queremos apenas chamar a atenção das pessoas e que o Governo veja que na verdade há algumas pessoas que estão realmente atentas às suas ações e que também tomam medidas para tentar defender a natureza”, destacou.