Moçambique: “O ataque a Macomia aumentou o sentimento de insegurança”, diz Bispo de Pemba

A Fundação AIS aprovou, a nível internacional, um pacote de ajuda de emergência de 250 mil euros para Cabo Delgado, no norte de Moçambique, região que enfrenta constantes ataques terroristas, alguns de grande intensidade, como aconteceu a 10 e 11 de Maio na vila de Macomia. D. António Juliasse, Bispo de Pemba, enviou uma carta ao responsável de projetos da fundação pontifícia a “agradecer imensamente” o apoio que tem sido dado e diz que esta ajuda tem-se revelado essencial: “O que seria da Igreja de Pemba sem a vossa ajuda…”, escreve o prelado.

O recente ataque à vila de Macomia aumentou o sentimento de insegurança em que estamos. A assistência pastoral ao norte continua a acontecer, mas com muitas cautelas e restringindo-se aos círculos achados com relativa segurança”, descreve D. António Juliasse a situação, numa mensagem enviada ontem, dia 23 de Maio, para Ulrich Kny, responsável de projetos da Fundação AIS para Moçambique. Na carta, o Bispo de Pemba diz que se está a viver na região “um momento de transição” no combate à ameaça terrorista em Cabo Delgado “com a saída das forças da SADC [Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral], e o incremento da presença ruandesa”.

O ataque à vila de Macomia, nos dias 10 e 11 de Maio, que D. Juliasse refere na mensagem, provocou a fuga a largas centenas de pessoas, como a Fundação AIS noticiou na ocasião, e que fizeram aumentar consideravelmente o elevadíssimo número de deslocados em Cabo Delgado – aproximadamente 1 milhão de pessoas –, que são uma das prioridades do trabalho humanitário que a Igreja desenvolve neste país de língua oficial portuguesa.

Face a esta situação e em resposta aos contínuos apelos da Igreja local, a Fundação AIS decidiu o enviou de ajuda de emergência no valor de aproximadamente 250 mil euros, sendo que a verba mais significativa – 105 mil euros – destina-se precisamente para “ajuda de emergência para os deslocados em Cabo Delgado”.

Na carta enviada a Ulrich Kny, D. António Juliasse agradece não só a ajuda como toda a proximidade que a fundação pontifícia desde sempre tem manifestado para com a sofrida Diocese de Pemba. “Mais uma vez agradeço imensamente a AIS Internacional pela especial atenção que nos têm dispensado. O que seria da Igreja de Pemba sem a vossa ajuda. De facto, sentimo-nos amparados pelo Papa Francisco  que tem rezado e falado de nós e por vós que nos dais a possibilidade de sermos úteis aos irmãos todos, cristãos e não cristãos”, diz o prelado na missiva.

CENTENÁRIO DA MISSÃO EM NANGOLOLO

A mais recente ofensiva terrorista, que deixou a população alarmada, teve, além do ataque referido por D. Juliasse a Macomia, um outro epicentro, em Fevereiro, com o ataque a uma dezena de aldeias no distrito de Chiúre, em que “todas as capelas cristãs foram destruídas”, como salientou, na altura o Bispo de Pemba numa mensagem emotiva enviada para a Fundação AIS em Lisboa.

Toda esta violência terrorista está a acontecer numa altura particularmente significativa para a história da Diocese de Pemba, que está a assinalar o jubileu dos cem anos de evangelização da paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Nangololo, e que foi atacada, ocupada e destruída pelos terroristas em Novembro de 2020. Na carta enviada ontem ao responsável de projetos da Fundação AIS, D. António Juliasse lembra isso. 

“Este ano celebramos 100 anos da Missão do Sagrado Coração de Jesus de Nangololo (Muidumbe). Foram os [padres] Monfortinos que iniciaram a evangelização continuada e o povo Maconde aderiu em massa. Fizemos a abertura na cidade de Pemba, convidando os que estão deslocados. Celebraremos em Novembro provavelmente em Moeda. Veremos como será”, escreve o Bispo de Pemba.

A ajuda de emergência aprovada pela Fundação AIS Internacional para a Diocese de Pemba inclui, além do apoio aos deslocados, o auxílio também à sobrevivência de 60 religiosas e 17 sacerdotes que estão na Diocese, à formação de 48 seminaristas, e ainda para projetos ligados à assistência espiritual às vítimas do terrorismo e para programas de evangelização para a rádio.

Paulo Aido – Fundação AIS

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