A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) reafirmou o seu apoio ao Governo de Moçambique no reforço da resposta ao deslocamento forçado, num contexto em que mais de 1,3 milhão de pessoas continuam afetadas pelo deslocamento interno nas províncias do norte do país. A posição foi reiterada durante a abertura da exposição fotográfica “Refúgio: Caminhos Cruzados”, patente em Maputo, que assinala os 75 anos da criação da agência.
O representante do ACNUR em Moçambique, Xavier Creach, sublinhou que as Nações Unidas permanecem ao lado do país face às múltiplas crises humanitárias, destacando que, desde julho de 2025, cerca de 300 mil pessoas foram deslocadas em Cabo Delgado e Nampula. A exposição retrata décadas de intervenção humanitária, desde a luta pela independência até ao período pós-guerra civil e aos desafios atuais.
A mostra reúne fotografias de arquivo, imagens contemporâneas e testemunhos de antigos refugiados e beneficiários, ilustrando histórias de resiliência e integração. Figuras como Graça Machel participaram na iniciativa, recordando a experiência do refúgio como uma lição de solidariedade e acolhimento que marcou a história moçambicana.
Criado em 1950 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o ACNUR mantém uma presença ativa em Moçambique há mais de seis décadas, apoiando a proteção de refugiados, requerentes de asilo e deslocados internos, bem como o reforço do sistema nacional de asilo, num mundo onde mais de 117 milhões de pessoas vivem atualmente em situação de deslocamento forçado.