Empresas europeias acusam o Estado moçambicano de preferir as companhias da China nos concursos públicos, o que consideram contrariar o princípio de igualdade de tratamento em detrimento de melhor qualidade.
“As companhias locais, incluindo subsidiárias com capital europeu legalmente presentes em Moçambique, relatam, frequentemente, que são marginalizadas nos concursos públicos, a favor de competidores estrangeiros, em particular companhias chinesas”, indica o levantamento “Exemplos de Barreiras e Constrangimentos ao Investimento Europeu em Moçambique” da Associação dos Empresários Europeus em Moçambique (EuroCam), citado pela “Carta de Moçambique”.
Segundo os empresários ouvidos na avaliação, no tópico “Desconsideração pelas empresas que operam localmente nos concursos públicos”, o tratamento a que as firmas europeias têm sido sujeitas pelo Estado moçambicano desincentiva investidores comprometidos com o desenvolvimento de Moçambique.
“Contratos públicos em setores como construção e fornecimento de equipamento são adjudicados a empresas estrangeiras com uma presença local mínima, comprometendo as promessas de desenvolvimento industrial interno”, pode ler-se no documento.
A EuroCam declarou que existe uma crescente preferência por produtos de origem chinesa, apesar da qualidade inferior desta oferta, devido ao baixo custo e fornecimento fácil. “Esta tendência compromete a competitividade dos produtos europeus, que são geralmente duradouros e tecnologicamente avançados”, sublinhou.