A Primeira-Ministra de Moçambique, Benvinda Levi, apresentou ontem, no Dubai, a carteira de activos estratégicos do país nos sectores da energia, transportes, recursos naturais e economia azul, no âmbito da estratégia governamental para atrair investimento global de longo prazo. A governante participou no evento em representação do Presidente da República, Daniel Chapo, que permaneceu no país devido às cheias severas que recentemente afectaram várias regiões.
A apresentação decorreu durante a cerimónia de lançamento da Cimeira Global de Investimento em África, que reuniu líderes políticos, decisores financeiros e investidores internacionais. No seu discurso, Levi explicou que a situação provocada pelas cheias, com impactos significativos sobre vidas humanas e meios de subsistência, exigiu a presença do Chefe do Estado em Moçambique, reiterando, contudo, o compromisso do país com a agenda de captação de investimento.
Relativamente a Moçambique, a Primeira-Ministra identificou como activos estratégicos as reservas de gás natural, os portos e corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, o agronegócio, as pescas, os minerais críticos — com destaque para a grafite —, a economia azul e o turismo sustentável. Sublinhou ainda que a credibilidade, a governação sólida e a estruturação de projectos bancáveis são determinantes para conquistar a confiança dos investidores internacionais.
Como exemplos de investimentos estruturantes, Levi destacou a retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, os compromissos da ExxonMobil e da ENI na Bacia do Rovuma, bem como a nova parceria hidroeléctrica com a Electricité de France e a Sumitomo. A governante afirmou que Moçambique pretende transformar os seus activos soberanos em carteiras de investimento transparentes e alinhadas com os mercados globais, reafirmando que o país está aberto aos negócios como uma opção estratégica de desenvolvimento sustentável.