Moçambique: Autoridades de Cabo Delgado confirmam mortes, detenções e feridos por desinformação sobre atrofiamento de órgãos genitais

Realizou-se na passada sexta-feira, 24 de abril, na cidade de Pemba, uma conferência de imprensa conjunta entre a Polícia da República de Moçambique (PRM), representada pelo Comandante Provincial Assane Nyito, e o Serviço Provincial de Saúde, através do seu representante, Edson Fernando para explicar o pânico que a província de Cabo Delgado vive desde o dia 18, em resultado de uma informação segundo a qual há indivíduos que ao pegarem outros nos ombros ocorre desaparecimento dos órgãos genitais.

Na ocasião, o comandante da PRM afirmou que, desde o dia 18 de abril, a província de Cabo Delgado vive um clima de pânico generalizado, motivado pela propagação de informações falsas por indivíduos ainda não identificados. Segundo ele, trata-se de um fenómeno novo, que a polícia repudia, apelando à população para não aderir à desinformação e denunciar os seus propagadores.

“Repudiamos muito, a nossa população deve confiar a polícia da república de Moçambique, denunciando aqueles agitadores, porque este fenômeno vai concorrer para a paralisação dos serviços, os nosso estudantes não podem ir a escola tendo medo, não podem estar nos chapas porque se se encosta alguém por má fé vai gritar, este aqui encostou. Não podemos ficar distraídos. A nossa província está a viver momento de terror”.

A PRM classificou tais actos como crime de incitamento à desobediência coletiva, cujas consequências já resultaram em mortes, feridos e detenções. De acordo com os dados apresentados, foram registados 17 casos nos distritos de Mocímboa da Praia, Palma, Pemba, Metuge, Ibo, Ancuabe, Montepuez e Macomia, dos quais resultaram cinco mortes: uma em Mocímboa da Praia, uma em Montepuez, duas em Ancuabe e uma em Metuge.

No âmbito das investigações, 25 indivíduos foram detidos, suspeitos de envolvimento em actos de agitação que culminaram em violência. Foram igualmente instaurados nove processos, sendo seis autos de notícia e três denúncias formais.

Por sua vez, o representante do Serviço Provincial de Saúde, Edson Fernando, esclareceu que não existe qualquer explicação científica para o alegado fenómeno de desaparecimento ou encolhimento de órgãos genitais. Segundo ele, trata-se de um caso de desinformação que gerou um estado de pânico coletivo, possivelmente associado aos traumas provocados pelo terrorismo na região, aumentando a ansiedade e desencadeando episódios de violência.

“De forma científica não existe nenhuma explicação técnica para este fenômeno que acontece, esta é situação de boa e desinformação. A situação de pânico coletivo que acontece no meio da população está associado a um trauma que a província, parte de cidadãos que estão a viver um trauma carregado pelo terrorismo, então as mensagens que aparecem a desinformação sobre um fenômeno criam medo, ansiedade e até mesmo passa para doença, a pessoa deixa de acreditar aquilo que são valores morais, religiosos e acaba indo a desinformação”.

O sector da saúde reforçou ainda que nunca houve registo de situação semelhante na província ou no país, apelando à população para evitar a disseminação de boatos e procurar as unidades sanitárias em caso de dúvidas ou sintomas.

Relativamente aos atendimentos, foi registada a entrada de um paciente em Mocímboa da Praia e quatro no Hospital Provincial de Pemba, que se queixavam de suposto encolhimento de órgãos genitais. Contudo, após observação médica, não foi detetada qualquer anomalia.

Além disso, 24 vítimas de violência física deram entrada nas unidades sanitárias, das quais quatro morreram e 20 apresentaram ferimentos ligeiros. Entre os casos não fatais, quatro pacientes encontram-se em estado grave, vítimas de agressão física, sendo que dois permanecem internados no Hospital Provincial de Pemba e outros dois no Hospital Rural de Montepuez.

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