As fortes chuvas que atingem Moçambique desde a véspera do Natal já afectaram quase 640 mil pessoas e provocaram pelo menos 105 mortes, segundo dados das autoridades e das agências humanitárias no terreno. As províncias de Gaza, Maputo, Inhambane e Sofala estão entre as mais atingidas, com comunidades inteiras destruídas por cheias e inundações consideradas as piores dos últimos anos.
De acordo com o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), mais de 68 mil pessoas foram evacuadas para 77 centros de acolhimento em todo o país. Pelo menos 3.231 casas foram totalmente arrasadas e cerca de 78 mil sofreram danos, deixando milhares de famílias sem abrigo. Em Maputo e noutras zonas urbanas registaram-se também dezenas de feridos devido ao colapso de habitações e infra-estruturas.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA/WFP) está a trabalhar em coordenação com o Governo moçambicano e outros parceiros humanitários para responder à crise. A responsável do PMA na província de Gaza alertou que várias comunidades, incluindo no distrito de Chokwé, foram completamente devastadas, com famílias a relatarem que perderam todos os seus bens, enfrentando agora escassez de alimentos e meios de subsistência.
As autoridades meteorológicas alertam para a continuação de chuvas fortes nos próximos dias, o que poderá agravar ainda mais a situação humanitária no país e na região. A África do Sul e o Zimbábue também registaram vítimas mortais devido ao mesmo fenómeno climático, aumentando a preocupação quanto ao impacto das alterações climáticas no sul de África.