Depois de Venâncio Mondlane ter revelado publicamente, em Nacala-Porto, a sua candidatura à presidência da Renamo, eis que surge mais um outro candidato, Elias Dhlakama. O irmão mais novo do antigo líder e fundador da Renamo, Afonso Dhlakama, assume que será candidato à liderança, assegurando ter o apoio dos seus correligionários e não temer a disputa interna com figuras “mediáticas” do sul.
O mandato do atual líder, Ossufo Momade, expira hoje, 17 de janeiro, e a expectativa de Elias Dhlakama é que, em breve, o partido marque as datas para eleger o novo líder e futuro candidato às presidenciais de outubro. Elias Dhlakama afirma não recear a disputa interna da Renamo e confia no seu currículo. “Reúno muito bem todos requisitos para a candidatura a presidência da Renamo, onde posso também candidatar-me às presidenciais de outubro. Tenho o contacto e o apoio das bases e dos membros seniores da Renamo. É do nosso conhecimento e é do domínio público que o mandato dos órgãos do partido termina neste dia 17 de janeiro. Todos os atos após essa data passam à invalidade e estarão fora do prazo. Por isso há a necessidade, antes de mais nada, de convocar-se a Comissão Política Nacional, que vai preparar as decisões,” explicou Elias Dlhakama.
Para o irmão do fundador do partido, “é preciso que se faça o balanço das eleições municipais, onde a Renamo perdeu. Perdemos porque, de facto, ganha quem marca. Se nós não marcarmos, significa que perdemos. Sabemos que nós ganhamos e fomos roubados, apenas nos foram dados municípios insignificantes como forma de fazer calar a Renamo. Então, este caso deve ser debatido no Conselho Nacional”.
Elias Dlhakama garante que conhece o bem o partido, prometendo ser um elemento inclusivo e alcançar a vitória nas eleições. “O que eu quero na Renamo é a inclusão, eu serei aglutinador. Há muitas situações e é preciso ser conhecedor, porque a Renamo anda com muitos problemas. Veja só que a Renamo sai do processo de DDR (Desarmamento, Desmobilização e Reintegração), que foi muito mal feito, e, se possível, deve haver uma renegociação, porque os militares que beneficiaram deste processo todos eles estão a murmurar. Nós queremos uma Renamo mais conjugada, uma Renamo que ganha eleições, para dirigir o país.”
Elias Marceta Macacho Dhlakama integrou as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) no âmbito do Acordo Geral de Paz de 1992, proveniente da Renamo. Conta 38 anos de vida militar e foi promovido, em setembro de 2015, a Brigadeiro das FADM. Era, desde fevereiro de 2015, Comandante do Comando de Reservistas. Passou à reserva em outubro de 2018.
Aurélio Sambo – Correspondente