O grupo Estado Islâmico de Moçambique (EIM) reivindicou uma série de ataques e execuções nos distritos de Muidumbe e Mueda, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, que terão provocado a morte de pelo menos 14 pessoas entre os últimos dias de Outubro e 1 de Novembro. Os insurgentes divulgaram cinco comunicados nos quais relataram confrontos com membros da Força Local, captura e execução de civis e destruição de meios de transporte.
Um dos episódios terá ocorrido no centro de produção de Saba Saba, no distrito de Muidumbe, onde os insurgentes afirmam ter entrado em confronto com membros da Força Local, obrigando-os a abandonar a posição. Na mesma reivindicação, o grupo declarou ter matado sete pessoas que classificou como cristãos envolvidos no conflito, além de ter incendiado três motociclos e roubado diversos bens.
Ainda em Muidumbe, o EIM reivindicou a captura e decapitação de três pessoas na aldeia de Matambalale, a 30 de Outubro. Segundo o grupo, as vítimas tinham sido capturadas dois dias antes. Um residente de Muatide disse que um jovem que comprava castanha de caju nas machambas de Saba Saba foi decapitado por insurgentes no domingo, 1 de Novembro. Outra fonte referiu que, entre as vítimas registadas na região, estavam três menores que terão sido mortos na presença dos avós, numa machamba próxima da aldeia de Muatide.
No distrito de Mueda, os insurgentes afirmaram ter capturado e executado uma pessoa na aldeia de Namawa, num episódio que situaram na quinta-feira anterior à divulgação dos comunicados. O grupo reivindicou igualmente um confronto com uma patrulha das forças governamentais na aldeia de Ntushi, na quarta-feira, alegando que um militar morreu e outros ficaram feridos. Também declarou ter capturado e executado duas pessoas na vila de Mueda, mas esta última informação não foi confirmada por várias fontes consultadas pela publicação.
As reivindicações surgem num contexto de persistência da violência armada em Cabo Delgado, onde ataques de grupos insurgentes continuam a ameaçar a segurança das populações e a estabilidade das comunidades rurais. Embora fontes locais apontem para pelo menos 14 vítimas mortais nos dois distritos, o balanço e os detalhes de vários episódios permanecem por confirmar de forma independente.