Moçambique: Governador de Nampula admite encerramento do Centro de Refugiados de Maratane

O governador da província de Nampula anunciou que o Governo está a ponderar o encerramento do Centro de Refugiados de Maratane, defendendo uma avaliação individual da situação dos refugiados e o regresso aos países de origem daqueles que se encontrem em situação considerada irregular.

Durante uma visita a um centro que acolhe cerca de 250 famílias, o governante afirmou que as autoridades pretendem reforçar o controlo da situação dos refugiados e garantir o cumprimento da legalidade.

“Nós vamos acabar aqui, claro. Nós vamos avaliar caso a caso e aquele que está ilegal, que não está bem, nós vamos devolver para a terra dele de origem. Nós queremos aqui a legalidade”, afirmou sem indicar as datas.

O governador questionou ainda a permanência prolongada de algumas pessoas no centro, mencionando casos de refugiados que vivem em Moçambique há mais de duas décadas.

“Você está aqui há 21 anos, está a comer, está bonito, está a vestir, está a comer e está a reclamar dizendo que nós não comemos bem. Não é mau isso?”, declarou.

Segundo o governante, Moçambique e, em particular, a província de Nampula, têm mantido uma política de acolhimento e apoio às populações refugiadas. No entanto, defendeu que os beneficiários devem também cumprir as regras estabelecidas pelas autoridades.

O governador referiu igualmente que alguns refugiados já desenvolveram actividades económicas fora do centro, incluindo negócios na zona de Muhala Expansão, em Nampula.

“Na província de Nampula, muitos de vocês que estão aqui já têm negócios na Muhala Expansão, têm negócios em todo sítio, só vêm aqui para se esconder como refugiado enquanto voltam ali. Vamos acabar com isso, não vamos querer”, expressou.

O governante destacou ainda as condições de vida proporcionadas aos refugiados em comparação com outros contextos internacionais, observando que, em alguns países, os refugiados permanecem em instalações fechadas, enquanto em Maratane têm possibilidade de circular e trabalhar.

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