A exploração dos recursos minerais na província de Nampula, norte do país, continua marcada por uma contradição preocupante, alegadamente enquanto empresas retiram riquezas do subsolo, muitas comunidades abrangidas pelos projectos continuam a questionar os benefícios reais da actividade mineira para as suas vidas.
A situação expõe a urgência de transformar a riqueza mineral em desenvolvimento efectivo, com resultados visíveis para as populações e responsabilização dos actores envolvidos.
O assunto foi levantado na segunda-feira (19), dia da oassagem dos 40 anos da morte de Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique independente, próprio governador de Nampula, Eduardo Abdula, que reconhece a persistência dos conflitos entre empresas e comunidades, por isso, defendeu uma mudança de postura das autoridades e dos operadores do sector.
Eduardo Abdula, que falava em Nacala, durante a Conferência de Adição de Valores dos Recursos Minerais e Energéticos, apelou que é chegado o tempo de menos promessas, mais cumprimento da Lei, maior presença do Estado no terreno e industrialização dos recursos naturais.
Eduardo Abdula, disse que nos distritos de Moma, Larde e Angoche, onde a actividade mineira alimenta expectativas de crescimento económico, a relação entre as empresas neste caso a Kanmare e Ayu Mining e as comunidades permanece marcada por tensões e reivindicações, havendo conflitos ainda por resolver alertando que o diálogo, por si só, não é suficiente quando não é acompanhado pela aplicação efectiva da legislação e por compromissos verificáveis.