O Governo moçambicano defende que o sucesso dos corredores logísticos deve ser medido não apenas pelo volume de mercadorias transportadas, mas também pela criação de emprego, pelo crescimento das empresas nacionais e pelo valor acrescentado no país. A posição foi apresentada pelo secretário de Estado dos Transportes e Logística, Chinguane Mabote, num workshop realizado em Nacala, no âmbito da conferência CAVAME-d.
Mabote defendeu o aproveitamento dos portos e das ligações rodoviárias e ferroviárias para impulsionar a industrialização e a transformação interna dos recursos minerais e energéticos. Sublinhou ainda a necessidade de modernizar os corredores de Maputo, Beira e Nacala, alertando que a expansão portuária deve ser acompanhada por melhorias nos acessos e nos procedimentos logísticos.
Entre os projectos destacados estão a expansão do Porto de Maputo, com cerca de 500 milhões de dólares previstos até 2028, e o Terminal Logístico de Dondo, avaliado em 117 milhões de dólares. Foi também referida a ligação ferroviária entre Moatize e Nacala-à-Velha, com capacidade anunciada para transportar 18 milhões de toneladas de carvão por ano.
O governante defendeu que os corredores devem beneficiar também a agricultura e a indústria, reduzindo custos de transporte e facilitando o acesso aos mercados. Apelou ainda a uma maior participação das empresas moçambicanas nos serviços ligados à indústria extractiva, à coordenação entre os sectores envolvidos e ao reforço da resistência das infra-estruturas aos riscos climáticos.