São necessários cerca de 4,2 milhões de euros para fazer chegar bens de primeira necessidade e serviços básicos na primeira fase de resposta às cheias que estão a arrasar o país
A UNICEF Portugal apela à solidariedade urgente dos portugueses para apoiar as crianças e as suas famílias afetadas pelas cheias em Moçambique, uma emergência humanitária que se agrava diariamente, na sequência de chuvas excecionalmente intensas registadas entre dezembro passado e janeiro deste ano.
Coincidindo com o início da época chuvosa e ciclónica, as cheias já afetaram mais de 690 mil pessoas, das quais mais de metade são crianças. Este número aumenta todos os dias nas zonas afetadas, sendo a Província de Gaza a mais atingida, para além de parte da Província de Maputo e algumas zonas centrais do país.
Segundo dados do início desta semana do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres de Moçambique (INGD), centenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, mais de 104 mil estão abrigadas em 109 centros de acolhimento, muitos deles sobrelotados, e cerca de 310 mil encontram-se em comunidades de acolhimento. Até à data, registaram-se:
154.797 casas inundadas, 771 destruídas e 3.447 parcialmente destruídas;
229 unidades de saúde danificadas ou destruídas;
366 escolas e 707 salas de aula afetadas, prejudicando 226 mil alunos e 6 mil professores;
1.336 km de estradas danificadas, além de pontes, aquedutos e sistemas de abastecimento de água.
A contaminação das fontes de água aumenta a probabilidade de doenças como a cólera, enquanto a interrupção dos serviços essenciais agrava situações de subnutrição, abandono escolar e falta de proteção.
Catarina da Ponte, responsável de Comunicação da UNICEF Portugal afirma “Moçambique tem uma população muito jovem, com mais de 17 milhões de crianças. Quando uma crise desta dimensão acontece, são elas que sofrem primeiro, e de forma mais duradoura. A resposta que chega agora é crucial para garantir a proteção e a recuperação das crianças e a estabilidade do país.”
No terreno, e em coordenação com o Governo moçambicano e parceiros, a UNICEF está a responder com ajuda humanitária imediata para salvar vidas:
Na província de Sofala, tem em curso operações de fornecimento de água, saneamento e higiene (WASH) nos quatro distritos mais afetados, assim como o tratamento de água contaminada ao nível comunitário e doméstico, beneficiando mais de 13 mil agregados familiares;
Em Nampula, estamos a apoiar os trabalhos de preparação e resposta à cólera, incluindo serviços WASH para centros de tratamento;
Na província de Gaza, a UNICEF reforçou a sua presença com equipas de emergência. Com apoio da ECHO, o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, está prevista a distribuição de 88 toneladas de ajuda humanitária que inclui artigos de saúde, nutrição, água e saneamento, e serviços de proteção da criança e educação.
A UNICEF estima que, nas próximas semanas, o número de pessoas afetadas possa chegar a 800 mil, das quais cerca de 400 mil são crianças. Para responder a esta situação de emergência, a UNICEF necessita de cerca de 5 milhões de dólares (aproximadamente 4,2 milhões de euros) para assegurar apoio humanitário vital imediata.
Catarina da Ponte reforça, por isso, o sentido de urgência deste apelo: “Neste momento, mais de 306 mil crianças estão em risco imediato. Cada donativo é fundamental para a UNICEF conseguir manter e ampliar a resposta humanitária à escala necessária, assegurando o fornecimento de água potável, e cuidados de saúde, bem como serviços de nutrição, educação e proteção às crianças e famílias vítimas desta catástrofe”.
A UNICEF Portugal apela à solidariedade de todos para fazer chegar ajuda urgente às crianças e famílias afetadas pelas cheias em Moçambique. Os donativos podem ser feitos em https://donativos.unicef.pt/campanha/criancas-mocambique/
UNICEF Portugal