Moçambique: MDM critica atuação da Polícia durante marcha da juventude em Nampula

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) manifestou, esta quinta-feira, o seu desacordo com a atuação da Polícia da República de Moçambique (PRM) durante uma marcha promovida pela ala juvenil do partido, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Juventude.

Falando numa conferência de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira, na sede do partido, em Nampula, o dirigente do MDM, Lope Muatamuro, afirmou que a marcha tinha sido previamente comunicada às autoridades competentes, incluindo o Conselho Municipal e a Polícia.

Segundo Muatamuro, os jovens saíram da delegação do partido para realizar uma marcha pelas principais artérias da cidade, mas foram interpelados pela Polícia quando chegaram a uma rotunda e impedidos de prosseguir.

“Os nossos jovens cumpriram com este requisito, saíram da delegação e caminharam pelas artérias da cidade de Nampula. Quando chegaram à rotunda, foram interpelados pela Polícia e impedidos de continuar.”

O dirigente político considerou a intervenção policial uma violação do direito à manifestação e acusou as autoridades de terem agido com intolerância política contra o partido.

“Assistimos a uma lamentável mutilação da democracia e da coexistência pacífica entre cidadãos. A Polícia, em comunhão com o Conselho Nacional da Juventude, protagonizou este acto de vergonha na nossa cidade”, declarou.

Muatamuro questionou ainda a finalidade da intervenção policial, defendendo que a operação não teria como objetivo principal a manutenção da ordem pública, mas sim impedir a expressão política do MDM.

“O objectivo da Polícia naquela intervenção de ontem não era a manutenção da ordem; o objectivo era calar a voz de uma oposição, neste caso a voz do MDM.”

O dirigente criticou igualmente o recurso a um contingente policial armado para impedir a marcha de jovens do partido e classificou o episódio como um caso de “intolerância política”.

Na mesma ocasião, Muatamuro associou a situação às dificuldades enfrentadas pelas comunidades nos bairros de Nampula, mencionando problemas relacionados com o acesso à água e às vias de circulação.

“Não podemos calar porque simplesmente um comandante orientou um contingente com armas para nos mandar calar”, afirmou, acrescentando que o MDM continuará a defender os direitos constitucionais dos cidadãos.

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