A ONU alertou que o norte de Moçambique vive, desde junho, uma crise humanitária cada vez mais grave, provocada pela violência armada em Cabo Delgado, desastres naturais e falta de financiamento.
O relatório do OCHA destaca que grupos armados continuam a provocar deslocações em massa, a destruir infraestruturas básicas e a dificultar o acesso à ajuda humanitária.
Desde janeiro, mais de 48 mil pessoas foram forçadas a fugir, incluindo centenas apenas em junho, após ataques no distrito de Macomia.
O conflito, ativo desde 2017, já deslocou mais de um milhão de pessoas. Este ano, os ataques estenderam-se à vizinha província de Niassa, onde foram registadas mortes, incluindo a decapitação de dois guardas-florestais.
Apesar dos esforços do governo para facilitar o regresso de deslocados, muitos encontram as suas casas e meios de subsistência destruídos, e os locais alternativos de reassentamento não oferecem condições mínimas.
A crise agravou-se ainda mais após três ciclones que, desde março, afetaram 70 mil pessoas nas províncias do norte e centro, sem que tenham recebido apoio humanitário adequado.
A queda de 26% no financiamento, de 74 para 55 milhões de dólares, também levou à suspensão de serviços essenciais, como o programa de recolha de amostras laboratoriais, vital para doentes com VIH e tuberculose.
O relatório sublinha ainda um aumento de 22% nos casos de violência baseada no género no início de 2025, revelando o impacto social profundo do conflito armado.