Álvaro Santos Pereira alerta para incerteza económica após choque energético no Médio Oriente

O Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, afirmou que ainda é demasiado cedo para avaliar plenamente o impacto do conflito no Irão e no bloqueio do Estreito de Ormuz sobre a economia da zona euro. Em entrevista à Bloomberg, o responsável destacou que a situação exige cautela e uma forte atenção à evolução dos dados económicos nas próximas semanas.

Segundo o responsável português, choques negativos na oferta de energia tendem a gerar simultaneamente menor crescimento e maior inflação, criando um cenário económico particularmente difícil para os decisores de política monetária. Ainda assim, sublinhou que a economia europeia entrou na crise com alguma resiliência, apesar de um crescimento modesto em torno de 1%.

Santos Pereira defendeu que o BCE deve manter uma postura de vigilância, evitando decisões precipitadas enquanto o impacto do conflito não estiver mais claro. No entanto, alertou que será essencial agir caso surjam sinais de aumento significativo dos preços ou das expectativas de inflação, de forma a evitar efeitos secundários persistentes.

Defendeu também que, para além da resposta à crise atual, a Europa deve reforçar o seu crescimento estrutural através do aprofundamento do mercado único, considerando que um crescimento persistente próximo de 1% não é satisfatório para a dimensão e potencial da economia europeia.

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