Inês Guerra liderou nova viagem para aproximar a comunidade luso-uruguaia das suas raízes

Imagem: Grupo conheceu diversos lugares em Portugal. Fotos: divulgação/Casa de Portugal de Montevidéu

A presidente da Casa de Portugal de Montevidéu, Inês Guerra, liderou, entre os dias 9 e 26 de maio, mais uma viagem cultural e identitária a Portugal, reunindo 26 participantes numa experiência que passou por Lisboa, Évora, Porto e pela ilha de São Miguel, nos Açores.

A iniciativa, que se realiza regularmente desde 2019, com interrupção apenas durante o período da pandemia, tem procurado “aproximar a comunidade luso-uruguaia das suas origens, permitindo a descendentes de emigrantes portugueses e a outros interessados conhecerem o património histórico, cultural e humano de Portugal”. Ao longo dos anos, o projeto já levou dezenas de participantes a diversas regiões portuguesas, incluindo Madeira, Algarve, Alentejo e localidades ligadas às histórias familiares dos viajantes.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, Inês Guerra falou sobre a origem desta iniciativa, o percurso realizado este ano pelos Açores e Portugal continental, o impacto destas viagens na preservação da identidade portuguesa no Uruguai e os projetos que pretende continuar a desenvolver à frente da Casa de Portugal de Montevidéu.

Como nasceu esta iniciativa?

A ideia é dar a conhecer Portugal, a sua cultura e o seu povo. Amo e sinto Portugal de forma muito intensa. A viagem deste ano realizou-se entre os dias 9 e 26 de maio. Em cada edição procuramos conhecer locais diferentes e, quando regressamos a alguma cidade já visitada, incluímos sempre novos percursos e novas experiências. Em todas as viagens percorremos Portugal continental e, há dois anos, surgiu a vontade de acrescentar a Madeira para, posteriormente, chegar aos Açores. Este ano conseguimos concretizar este objetivo.

Quantas pessoas integraram o grupo desta edição e qual era o perfil dos participantes?

Este ano viajaram 26 pessoas. Foi um grupo fantástico. As idades variavam entre os 35 e os 84 anos. Embora muitos fossem descendentes de portugueses, como filhos e netos, participam sempre pessoas interessadas em conhecer Portugal, a sua história, gastronomia e cultura. Há também quem repita a experiência todos os anos, porque Portugal é um país maravilhoso, que tem muito para oferecer, mostrar e desfrutar. Além disso, são viagens de grupo em que todos partilhamos a mesma vontade de conviver, aproveitar e criar boas memórias.

Durante o itinerário, que cidades, ilhas e localidades foram visitadas e quais considera terem sido os momentos mais marcantes de uma experiência que permitiu redescobrir raízes e fortalecer os laços com Portugal?

Visitámos Évora, Lisboa e Porto, em Portugal continental, cidades às quais é sempre um prazer regressar. Em Lisboa, destaco a visita ao Museu da Presidência da República, no Palácio de Belém, um passeio pelas ruas de Alfama e uma noite de fado, experiências que considero indispensáveis. O Porto continua a surpreender pela sua dinâmica, pelos azulejos, pelos edifícios imponentes e pela história que cada um deles guarda. Passear pelas margens do Douro, rodeado de pessoas, música e excelente gastronomia, é sempre especial. Depois seguimos para a ilha de São Miguel, nos Açores, que todos visitavam pela primeira vez. Percorremo-la de norte a sul e de Este a Oeste, tendo Ponta Delgada como base. Visitámos a zona histórica da cidade, incluindo as Portas da Cidade, do século XVIII, a Igreja Matriz de São Sebastião, a Fortaleza de São Brás, do século XVI, a Igreja do Senhor Santo Cristo dos Milagres e vários jardins botânicos. Conhecemos uma plantação de ananases e os seus produtos derivados. Fizemos visitas a Ribeira Grande, onde viveram alguns dos primeiros povoadores de São Miguel, explorando o centro histórico, miradouros, praias de surf e piscinas termais públicas. Foi também ali que visitámos a Fábrica de Chá Gorreana. Passámos por Furnas, onde visitámos o Parque Terra Nostra, tomámos banho nas piscinas termais naturais e provámos o tradicional cozido das Furnas, confeccionado com o calor geotérmico da atividade vulcânica. Observámos ainda as caldeiras e os géiseres em atividade. Visitámos as Sete Cidades, com a sua famosa lagoa de duas cores, a Lagoa do Fogo, situada na caldeira vulcânica da Serra de Água de Pau, e Rabo de Peixe, conhecida pela sua tradição piscatória. Participámos também numa saída para observação de baleias, cachalotes e golfinhos, além de visitas a uma fábrica de cerâmica e a uma fábrica de licores. Há realmente muito para contar sobre esta viagem.

Que experiências semelhantes organizou em anos anteriores e como evoluiu o interesse da comunidade luso-uruguaia em reencontrar-se com as suas origens através destas iniciativas?

Estas viagens realizam-se desde 2019, com uma interrupção de dois anos devido à pandemia. O objetivo foi sempre aproximar Portugal da nossa comunidade. Para quem tem sangue português, é muito emocionante aproximar-se da terra das suas raízes e isso é algo que procuramos valorizar em cada viagem. Tivemos a oportunidade de visitar as aldeias dos nossos pais, avós e tios, algo muito especial. Também já vivemos momentos de reencontro com familiares e amigos que se deslocam para nos encontrar durante os percursos. Ao longo dos anos conhecemos inúmeras regiões de Portugal, desde o Norte, junto à Galiza, passando pelo Alentejo, Algarve e Madeira. No ano passado realizámos igualmente uma viagem ao Brasil, visitando Recife e Olinda, duas cidades fundadas por portugueses e com uma enorme riqueza histórica. Foi uma experiência muito gratificante.

Como contribuiu esta viagem para preservar a memória, as tradições e os laços afetivos entre os participantes e a terra dos seus antepassados?

Conhecer as nossas origens é algo que nos move profundamente. Na nossa instituição trabalhamos para que as novas gerações se aproximem das suas raízes, as sintam, as divulguem e as preservem.

Como presidente da Casa de Portugal de Montevidéu e promotora desta iniciativa, que legado espera deixar através destas viagens e que projetos pretende desenvolver no futuro para continuar a fortalecer as relações entre o Uruguai e Portugal?

O meu principal objetivo foi, é e continuará a ser, trabalhar pela preservação das nossas raízes. Aliás, o lema desta direção que presido é precisamente “Pelas nossas raízes portuguesas”. A intenção é que Portugal e a cultura portuguesa sejam cada vez mais conhecidos. Por isso, na Casa de Portugal de Montevidéu promovemos regularmente mesas-redondas, palestras e encontros dedicados à história, literatura, música, gastronomia e outros temas ligados a Portugal. Comemoramos as datas nacionais e é sempre um enorme prazer receber artistas e visitantes vindos de Portugal que nos ajudam a manter viva essa ligação ao país que amamos e do qual nos orgulhamos. Não tenho dúvidas de que continuarei a defender e valorizar o património português, algo que considero uma grande honra.

Ígor Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Conselheiro Fernando Topa destaca papel do CCP na resposta aos novos desafios das comunidades e apela ao apoio contínuo à Venezuela

O conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito pela Venezuela,...

0

Rio de Janeiro: Consulado-Geral de Portugal reuniu com as associações portuguesas locais

Foto: divulgação/Redes Sociais – Consulado-Geral de Portugal no...

0

Brasil: Após prémio em Portugal, Alerj homenageia estudantes por projeto de cama hospitalar controlada por voz

Foto: divulgação/Faetec Na sessão de 23 de junho,...

0