Um estudo da Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde (EQUALMED) aponta que as disparidades no acesso a medicamentos em Portugal têm consequências significativas na saúde pública. Segundo a análise, uma distribuição mais justa no acesso aos fármacos poderia evitar cerca de 1.577 mortes por ano.
O Índex da Equidade de Acesso ao Medicamento, que avaliou o período entre 2022 e 2025, atribui ao país um nível de equidade de 52%, abaixo de Espanha, Itália, França e Bélgica. Fatores económicos, regras de fixação de preços e limitações orçamentais ajudam a explicar estas diferenças.
No plano interno, também se registam assimetrias relevantes: o Alentejo apresenta os indicadores menos favoráveis, enquanto regiões como o Norte e a Grande Lisboa revelam melhores níveis de acesso.
O estudo destaca ainda que os medicamentos representam um esforço financeiro significativo para os portugueses, superior ao verificado nos restantes países analisados. Acresce que cerca de um terço dos fármacos aprovados não é comercializado no mercado nacional, sobretudo por razões de viabilidade económica.
Apesar destes desafios, Portugal evidencia um desempenho positivo na utilização de medicamentos genéricos e biossimilares, cujo impacto no sistema de saúde é dos mais elevados entre os países estudados.