Portugal: Florestas reforçam a transição verde apesar do impacto dos incêndios, refere relatório internacional

Portugal continua a afirmar-se como um dos países europeus onde a indústria florestal desempenha um papel estratégico na transição ecológica, segundo um relatório divulgado pela Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (Unece). O estudo destaca a importância crescente da madeira e dos produtos florestais na economia portuguesa, apesar dos desafios colocados pelos incêndios rurais e pela volatilidade dos mercados internacionais.

De acordo com o relatório, a cobertura florestal cerca de 36% do território português e os produtos florestais representam aproximadamente 9% das exportações nacionais desde o início do milénio. Em 2024, o valor das exportações do setor superou as atualmente em mais de três mil milhões de euros. Entre os principais produtos exportados encontramos madeira para construção, mobiliário, papel, têxteis, bioplásticos, produtos derivados de resinas e rolhas de cortiça.

A Unece alerta, contudo, para os riscos associados aos incêndios florestais. Embora o número de incêndios tenha diminuído cerca de 47% em 2024 face à mídia da última década, a área ardida aumentou 22%, refletindo incêndios de maior dimensão. O relatório sublinha que estes fenómenos afetam as zonas rurais, a atividade agrícola e a qualidade da madeira destinada à indústria.

Outro fator de vulnerabilidade identificado é a forte dependência dos mercados externos. A organização refere que a instabilidade comercial e a aplicação de tarifas sobre produtos derivados da madeira podem fragilizar o setor florestal português, altamente orientada para a exportação.

Apesar destes desafios, o relatório considera que Portugal está alinhado com a estratégia europeia de descarbonização. Com mais de 75% da produção energética baseada em fontes renováveis, o país pretende fortalecer o papel das florestas como sumidouros de carbono e fontes sustentáveis ​​de materiais-primas, no âmbito do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 e do Plano Nacional de Energia e Clima 2030.

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