Portugal regista níveis de mortalidade acima do normal há 26 dias consecutivos, numa tendência que poderá estar associada ao tempo frio e à atual vaga de gripe. Desde 10 de dezembro, os óbitos diários têm superado de forma consistente os valores esperados, com mais de 400 mortes por dia e picos próximos das 500.
Dados da Direção-Geral da Saúde e do Sistema de Informação de Certificados de Óbito indicam excessos que, em alguns dias, ultrapassam os 37% face ao previsto. No final de dezembro, foram registados 488 óbitos num só dia, e a 2 de janeiro o número ultrapassou as 500 mortes.
A situação começou a inverter-se a 5 de janeiro, quando se contabilizaram 388 óbitos, menos do que no mesmo dia de 2025. Ainda assim, especialistas alertam que o impacto combinado do frio intenso, da gripe sazonal e do envelhecimento da população ajuda a explicar o cenário, sobretudo entre pessoas com mais de 75 anos.
O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública aponta também a pobreza energética como um possível fator agravante. Em 2025, morreram cerca de cinco mil pessoas a mais do que no ano anterior, um dado que reforça a preocupação com os efeitos do inverno na saúde pública.