A falta de casas a preços comportáveis continua a dificultar a vida de muitas famílias portuguesas. De acordo com dados da OCDE, apenas cerca de 2% das habitações em Portugal se destinam ao arrendamento social, uma percentagem bastante inferior à de países como os Países Baixos, a Áustria e a Dinamarca, onde este setor representa mais de 20% do parque habitacional.
Nos Países Baixos, entidades independentes e sem fins lucrativos constroem e administram casas destinadas principalmente a pessoas com menores rendimentos. O dinheiro recebido através das rendas, os empréstimos e os apoios públicos ajudam a financiar a conservação dos imóveis e a criação de novas habitações. Na Áustria, organizações com lucros limitados também reinvestem os recursos no setor, enquanto na Dinamarca os residentes participam nas decisões sobre a gestão dos edifícios.
Existem outras soluções internacionais. O Reino Unido conta com associações habitacionais, França dispõe de organismos especializados em habitação social e a Suíça tem cooperativas com presença significativa em algumas cidades. Fora da Europa, o Canadá apoia iniciativas comunitárias e cooperativas, os Estados Unidos recorrem a modelos de propriedade coletiva dos terrenos e o Uruguai promove projetos em que os futuros moradores participam na construção das suas casas.
Portugal também tem cooperativas habitacionais, mas o setor do arrendamento social continua limitado. A experiência internacional mostra que a construção pública pode ser complementada por organizações que mantêm e gerem os imóveis a longo prazo. Para desenvolver este modelo, será necessário facilitar o acesso a terrenos, criar condições de financiamento e assegurar apoios públicos que permitam manter as rendas a níveis acessíveis.