Uma em cada cinco crianças vive, hoje, em contexto de guerra. A UNICEF Portugal lembra que em Gaza, Sudão, Ucrânia, Mianmar e noutras zonas marcadas por conflitos, o Natal não traz consigo o espírito de paz e a proteção. Para muitos milhões de crianças, é necessário que a UNICEF continue a cumprir a sua missão.
A UNICEF Portugal apela à solidariedade da sociedade civil para apoiar 473 milhões de crianças que vivem hoje sob o impacto devastador da guerra ou de conflitos violentos, através da campanha de Natal “Leve ajuda humanitária onde o Natal não chega”.
Enquanto, nesta época festiva, muitas crianças recebem presentes e celebram o Natal em família, em zonas como Gaza, ou países como o Sudão, a Ucrânia ou o Mianmar, as famílias enfrentam bombardeamentos diários, fome, deslocação forçada e medo. Atualmente, 1 em cada 5 crianças vive em países afetados por guerras ou conflitos violentos:
- Mais de 70% das mortes ou ferimentos infantis em contexto de guerra resultam do uso de armas explosivas em áreas povoadas;
- 48,8 milhões de crianças foram deslocadas por violência;
- 52 milhões estão fora da escola devido ao conflito.
Apesar das restrições de acesso e dos riscos no terreno, a UNICEF continua presente em mais de 400 crises humanitárias por ano, e luta diariamente para levar alimentos terapêuticos, água potável, kits de higiene, abrigos de emergência, tendas, vestuário, cobertores, equipamento médico, medicamentos, vacinas e cuidados de saúde primários e neonatais às populações vulneráveis. Apoia a proteção infantil, identificando e acompanhando crianças separadas das famílias, prestando apoio psicossocial e criando espaços seguros onde possam descansar, brincar e recuperar do trauma. Trabalha ainda no restabelecimento de serviços e infraestruturas colapsadas, desde saneamento e saúde pública, à reabilitação de escolas e distribuição de material escolar, para que as crianças possam continuar a aprender.
De acordo com Catarina da Ponte, responsável de comunicação da UNICEF Portugal, “quando dizemos ‘onde o Natal não chega, a UNICEF tem de chegar’, estamos a recordar que há crianças para quem a luz, o calor e a segurança são um luxo. Este é um apelo para que Portugal ajude a levar esperança onde ela parece impossível. Na Ucrânia, em Gaza, no Sudão, em Mianmar e em tantos outros sítios, as crianças não têm comida, abrigo ou acesso a cuidados de saúde”. A responsável sublinha que este apelo pretende transformar o espírito natalício em impacto concreto: “cada doação pode significar aconchego para uma criança que perdeu a sua casa, medicamentos para quem está doente, apoio psicológico para quem viveu traumas inimagináveis. Onde a infância está em risco, a UNICEF está presente, e contamos com a solidariedade de todos para continuar este trabalho vital“.
Em julho de 2025, a UNICEF contava apenas com 38% do financiamento necessário para o seu apelo anual de cerca de 8,53 mil milhões de euros. Esta insuficiência financeira coloca milhões de vidas em risco imediato. Apesar do seu subfinanciamento, a UNICEF continua a fazer chegar respostas ao terreno, assegurando que a ajuda chega primeiro às crianças que mais precisam, mesmo em zonas onde quase nada mais consegue entrar.
Ucrânia: infância em colapso e risco crescente
Na Ucrânia, a guerra continua a colocar as crianças em risco extremo: desde fevereiro de 2022, 2.786 crianças foram mortas ou feridas, muitas devido ao uso de armas explosivas em zonas povoadas. A violência agravou-se entre março e maio de 2025, período em que 222 crianças foram atingidas, e abril tornou-se o mês mais letal desde 2020, com 97 vítimas infantis. As consequências para a vida diária são devastadoras: 70% das crianças (cerca de 3,5 milhões) vivem em privação material, um terço não tem acesso a água potável e saneamento, e mais de 4,6 milhões estão fora da escola. A isto soma-se o surgimento de novos perigos, como o recrutamento de menores para atividades de sabotagem e espionagem online, que já resultou em mortes, feridos e detenções entre jovens.
Gaza: dois anos de guerra, fome declarada e infância à beira do desaparecimento
Em Gaza, as crianças enfrentam violência extrema, fome e colapso total dos serviços essenciais. Desde o início do conflito em outubro de 2023, mais de 64 mil crianças foram mortas ou feridas, incluindo pelo menos mil bebés, e muitas continuam desaparecidas. A fome foi oficialmente declarada a 22 de agosto de 2025, afetando mais de 500 mil pessoas, enquanto mais de 10 mil crianças sofrem de subnutrição aguda severa e o sistema de saúde em falência resulta em mortes por doenças evitáveis. A UNICEF enfrenta um défice de financiamento de 81% na área da nutrição, comprometendo a resposta humanitária num contexto onde as crianças vivem deslocadas, em risco de doença, sem acesso regular a água potável, saneamento ou cuidados médicos, e com perdas constantes de familiares.
Sudão: uma das maiores crises humanitárias da atualidade
No Sudão, onde a guerra iniciada em abril de 2023 continua a devastar o país, mais de 15 milhões de crianças necessitam urgentemente de ajuda humanitária, numa das crises infantis mais graves do mundo. Mais de 2 milhões estão deslocadas internamente e 825 mil permanecem presas em zonas de conflito como Darfur e Zamzam. Em Al-Fasher, sob cerco há mais de 500 dias, a UNICEF verificou mais de 1.100 violações graves dos direitos das crianças. A sobrevivência está ameaçada por fome e doença, com 4 milhões de crianças com menos de cinco anos em risco de subnutrição aguda, e um surto de cólera iniciado em 2024 que gerou mais de 96 mil casos e 2.400 mortes. O colapso educativo deixa 19 milhões de crianças fora da escola e 90% sem acesso a ensino, comprometendo o futuro de uma geração.
Mianmar: crianças em crise, necessidades urgentes e resposta da UNICEF
Em Mianmar, cerca de 19,9 milhões de pessoas, das quais 6,4 milhões de crianças, necessitam de assistência humanitária devido ao contexto de conflito prolongado, deslocações internas e desastres naturais recentes, como o terramoto de março e as cheias subsequentes. A crise afetou drasticamente o acesso a serviços essenciais: saúde, nutrição, água potável, saneamento e educação foram gravemente interrompidos, colocando as crianças em situação de vulnerabilidade. A UNICEF está a responder com um apelo de cerca de 246,6 milhões de euros para apoiar 4,1 milhões de pessoas, das quais 3 milhões de crianças, com ajuda vital, desde água e saneamento, saúde e nutrição, até proteção e apoio educativo.
A UNICEF Portugal apela à sociedade para que, neste Natal, se junte ao esforço global de proteger e salvar vidas de crianças em todo o mundo.
Os donativos podem ser feitos em www.unicef.pt.